Até pouco tempo, os deficientes físicos eram pessoas invisíveis para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que desconhecia o número dessa população, basendo-se nos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Ao incluir no questionário um item para conhecer esse universo, o Censo 2000 revelou 24,5 milhões de deficientes no Brasil, algo em torno de 14% da população - um percentual diferente da OMS, que aponta 10%.
Sobre esses números podemos estender uma pergunta:
Se para cada 100 brasileiros, 14 apresentam algum tipo de limitação física ou mental, onde estão esses brasileiros?
Ontem pela manhã, véspera do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, um grupo de entidades esteve no Calçadão, expondo e comercializando artesanato e produtos alimentícios para colocar em pauta a discussão.
A exposição e comercialização de tapetes, cartões, quadros, pães e biscoitos pelas 15 entidades representadas foi uma atração a mais para o trabalho de conscientização dos londrinenses que passaram pelo local.
''A gente percebe que o maior problema é a discriminação no emprego. A lei que garante cotas para deficientes não é suficiente porque as empresas acabam burlando, justificando, entre outras coisas, que a pessoa não se enquadra no perfil da vaga'', comentou a assistente social da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina, Kety Akimura.
Aparecida Ceres Biolar é mãe da deficiente mental, Angelita Ceres Biolar, 25 anos. Ela ressaltou que o transporte ainda é uma barreira para os deficientes, apesar da frota de ônibus em Londrina incluir veículos adaptados. ''Outro problema para os deficientes é o ingresso na escola. Estudo perto da minha casa, mas gostaria de estudar no Ilece. Estou esperando por uma vaga'', acrescentou Angelita.
O argumento da jovem londrinense se sustenta no fato de que 51% dos deficientes têm até três anos de estudo. Entre os que conseguem saltar essa barreira, 64,6% que conseguem emprego, recebem apenas dois salários mínimos.

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