Deficientes enganam cobradores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
Gilmar Agassi Equipe da Folha 
Cascavel - A Companhia Cascavelense de Tranporte e Tráfego (CCTT) está buscando uma solução para um problema que vem causando prejuízos ao transporte coletivo de Cascavel. Fiscais da Companhia descobriram que alguns deficientes estão se utilizando de uma prerrogativa na lei, para enganar os cobradores. Segundo a legislação, os deficientes têm direito ao transporte coletivo gratuito e a vantagem de trafegar com um acompanhante.
O problema é que a direção da CCTT constatou que alguns deficientes acabaram encontrando na lei, uma forma de ganhar dinheiro. Eles vão aos pontos de ônibus e acertam a cobrança de R$ 0,50 pela passagem que hoje custa R$ 1,10. Ao entrar no ônibus, o deficiente argumenta que o usuário é seu acompanhante, o qual acaba trafegando sem pagar o valor da passagem. Alguns deficientes chegam a fazer mais de 30 viagens por dia, disse o presidente da CCTT, Sérgio Donadussi.
O caso veio à tona porque os fiscais descobriram que muitos deficientes são vistos, seguidamente, em linhas diferentes. A direção da CCTT já se encontrou com representantes da Associação Cascavelense de Deficientes Físicos (Acadefi) para buscar uma solução para o caso. Donadussi chegou a sugerir que os acompanhantes sejam pré-identificados na carteirinha do deficiente, através de uma foto. A sugestão entretanto, acabou gerando protestos. Donadussi, explica que vai buscar novas alternativas para coibir a ação que, segundo ele, é ilegal.
O presidente da CCTT afirma que muitas pessoas conseguem carteira de deficiente sem necessidade. Hoje o documento é expedido pela associação de deficientes, sem a exigência de um laudo médico. Por causa disso, Donadussi chegou a discutir a possibilidade de exigir uma perícia médica antes de emitir a carteira de gratuidade do transporte coletivo. Essa perícia, segundo ele, indicaria se a pessoa tem necessidade de acompanhante.
O diretor da Acadefi, Antônio Rodrigues da Silva, diz que o problema precisa ser estudado com calma, porque nem todos os deficientes físicos estão burlando a fiscalização.


