Deficientes enfrentam fila para renovar o passe
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sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Burocracia e falta de informações estão fazendo com que portadores de necessidades especiais tenham que esperar no mínimo duas horas na fila para a renovação do passe livre para uso de transporte coletivo. Na manhã de ontem, garantiram senhas somente as pessoas que chegaram ao setor de atendimento da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), no Terminal Urbano Central, duas horas antes do início do expediente, às 8 horas. Mais de 120 portadores de deficiências esperaram em pé pelo atendimento.
Entre os usuários do transporte estava a atendente de telefone Daniela Saura Teles, que reclamou do excesso de documentos necessários para a renovação, exigida semestralmente pela CMTU. ''Eu não tenho um braço e ele não vai crescer de novo. Será que toda vez que eu tiver que renovar minha carteira vou ter que apresentar um laudo médico?'', perguntou.
Além do laudo médico comprovando a deficiência, os interessados em retirar carteiras de passe livre devem apresentar comprovante de rendimento, comprovação de renda familiar e documento assinado por uma testemunha, comprovando a necessidade do benefício. ''É muita papelada. Ser deficiente já nos deixa numa situação desfavorável. Ter que aguardar tanto tempo na fila nos humilha'', afirmou a dona de casa Maria Aparecida Gazolla, que tenta renovar o benefício desde julho. ''Venho quase todo dia, mas não consigo ser atendida'', disse.
Durante a manhã, quatro atendentes faziam o trabalho de triagem, protocolo de pedidos e retirada dos benefícios. Segundo um dos funcionários do setor, que não se identificou, cada atendimento dura em média 10 minutos. Considerando a quantidade de senhas distribuídas, a última pessoa da fila, a desempregada Nelita Marques Pereira, precisaria esperar 20 horas para renovar o benefício.
Outras três pessoas aguardavam no fim da fila por recomendação de outro funcionário do setor, mesmo sem ter recebido senhas. Uma delas era a dona de casa Noêmia Santos Silva, que sofre de epilepsia. ''Durmo sedada e não acordo cedo. Por isso, tenho vindo aqui durante toda a semana, mas sequer consegui pegar senha, mesmo chegando no horário da abertura'', explicou.
O diretor de trânsito e urbanização da CMTU, Álvaro Grotti, afirmou à reportagem da Folha que a concentração de usuários no setor ontem pela manhã deve-se a fatores sazonais. ''Neste período do ano, os vencimentos de benefícios se acumulam'', afirmou. O diretor admitiu também que o setor não tem estrutura sificiente para atender à demanda e que, por isso, a distribuição de senhas é limitada.
Grotti afirmou ainda que a partir desta segunda-feira (dia 13), a CMTU deve colocar mais dois funcionários no atendimento e o setor deve abrir uma hora mais cedo, a partir das 7 horas. ''Também estamos estudando a mudança do sistema de carteiras para o cartão eletrônico. Isso vai dificultar falsificações e poderemos estender o tempo de validade dos benefícios, além de reduzir o número de documentos exigidos''.
Como solução paliativa, Grotti também disse que, ainda na tarde de ontem, a presidente da Companhia, Rosimeire Suziki, assinaria uma portaria prolongando o prazo de validade de carteiras vencidas por mais 60 dias. No início da tarde, a assessoria de imprensa da CMTU confirmou a assinatura da portaria.


