Deficientes enfrentam dificuldades em academias
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
''Nós não nos sentimos seguros para atendê-lo, devido a sua deficiência visual.'' Esta foi a afirmação que o bacharel em direito, Márcio Fernando Rodrigues, portador de deficiência visual, ouviu ao visitar algumas academias de ginástica de Londrina antes iniciar suas aulas na academia que frequenta atualmente. Um fato constrangedor para Rodrigues, mas muito mais recorrente do que se imagina.
Embora a Constituição Federal de 1988 assegure a qualquer cidadão portador de qualquer deficiência, locomotora ou sensorial, ''a plena inserção na vida econômica e social para o total desenvolvimento de suas potencialidades'', na prática não é bem isso o que ocorre.
Mesmo com as mudanças arquitetônicas que possibilitam a acessibilidade às pessoas com deficiências locomotoras ou sensoriais aos mais diferentes locais, a falta de preparo de educadores físicos para atender a esse público é o que tem dificultado o pleno exercício desse direito, principalmente em academias de ginástica.
A professora do curso educação física da Unopar, Gleice de Souza, reconhece que a grande maioria dos alunos de educação física, assim como demais profissionais do mercado de trabalho, não estão preparados para lidar com a questão da inclusão.
''Não só o profissional de educação física tem essa dificuldade, você pode ver em isso qualquer outra profissão'', afirma a professora. Ela acrescenta que, embora os alunos tenham uma disciplina específica sobre como adaptar as atividades físicas às necessidades de cada pessoa portadora de deficiência, os graduandos em bacharelado, que são os que vão atuar em academias, não realizam estágio em educação especial.
''É algo complicado porque no dia a dia eles vão encontrar vários tipos de deficiências e vão ter que aprender a lidar com isso na prática'', complementa.
Para o educador físico e personal trainer, João Paulo Ortega, da Academia Madureira, que está acompanhando o treinamento de Rodrigues há quase um mês, revela que não recebeu nenhum tipo de preparo durante o curso de educação física para atender às necessidades sensoriais específicas do cliente e que está aprendendo agora, na prática, a realizar o trabalho com Rodrigues.
''Acredito que faltou uma disciplina específica para atender a todos os públicos'', diz Ortega. ''Procuro sempre me colocar no lugar dele para saber quais as dificuldades que ele enfrenta. Recentemente, eu e o Gabriel Suzano (educador físico) colocamos uma venda nos olhos, ao final das aulas, para entender um pouco melhor como devem ser as aulas'', conta.
''Deus é que tem me ajudado a conduzir este trabalho com o Márcio. Quando ele tem alguma dificuldade ele me fala e a gente vai se adaptando no que é preciso'', explica.
Melhor para Rodrigues, que aprova o trabalho. ''Realizo 45 minutos de aulas de fortalecimento muscular e aeróbico como qualquer outra pessoa, sempre segundo as orientações do Ortega e sem que seja necessário ninguém ficar com um cuidado excessivo em cima de mim'', garante. (F.C)


