Maringá - Entidades representativas dos deficientes físicos de Maringá vão tentar agora sensibilizar o prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT) na busca pelo veto à lei que libera o uso das calçadas aos comerciantes. A lei foi aprovada ontem, por 16 votos a 4, em última discussão e segue agora para o Executivo. Os deficientes temem, porém, que os vereadores derrubem um eventual veto do prefeito.
O vice-prefeito João Ivo Caleffi (PT) garantiu que irá se reunir com técnicos da prefeitura e representantes dos deficientes físicos para tomar uma decisão. Caleffi considera fundamental ouvir todas as partes e não descarta a possibilidade de veto.
A lei libera apenas um vão de 1,20 metro na calçada para o uso do pedestre. No município, a maioria dos bares e lanchonetes colocam no espaço público, mesas e cadeiras. Também os comerciantes utilizam as calçadas como extensão das lojas para a exposição de móveis, eletrodomésticos e araras de roupas.
Desde que o projeto começou a ser discutido na Câmara, os deficientes tentaram chamar a atenção para o fato de que o vão de 1,20 metro é insuficiente para manobras de cadeiras de rodas e acesso dos deficientes visuais. O ideal seria de 1,60 metro. Os deficientes convidaram os 21 vereadores para uma tarde de vivência, mas somente dois compareceram.
Conforme o Conselho Municipal dos Direitos dos Deficientes Físicos, a lei não prejudica somente os portadores de deficência, mas toda a comunidade porque o espaço público fica limitado. Para o conselho, a liberação do passeio aos comerciantes é uma forma velada de privatização.

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