A preocupação em se adequar à lei municipal que obriga rampas de acessos para deficientes físicos está fazendo com que muitas delas sejam construídas fora dos padrões em Campo Mourão. É comum ver pelas ruas da cidade rampas construídas sobre as calçadas, criando um novo obstáculo, além de rampas com um grau de inclinação muito acima dos 12,5% estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
‘‘O número de rampas aumentou bastante, não há como negar, mas algumas delas não têm como ser usadas’’, diz o servidor público Valdir Velozo, 38, que usa cadeira de rodas devido a uma paralisia infantil. Num prédio em fase final de construção, no centro de Campo Mourão, Velozo fez uma demonstração. A rampa é tão inclinada que o motor da cadeira de rodas não tem força para subir. ‘‘E se tivesse, a cadeira iria virar para trás’’.
O presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Campo Mourão (Adeficam), Eloísio Nicola, 35, ressalta que, numa rampa com tanta inclinação, também é impossível subir com uma cadeira de rodas de manivelas. ‘‘Nenhum deficiente seria louco de tentar descer por uma rampa dessas’’, ressala Nicola. Segundo ele, existem hoje cadastrados na associação mais de 100 pessoas que usam cadeiras de rodas na cidade.
A diretora da Secretaria Municipal de Planejamento, Eumara Saavedra, disse ontem que a prefeitura reconhece a existência de rampas fora das normas e que a fiscalização vem sendo feita de forma gradual. No caso do prédio citado por Velozo, Eumara afirmou que a lei municipal não obriga a construção de rampas em prédios privados de habitação coletiva. Se o prédio tiver um morador que use cadeiras de rodas, o problema terá que ser resolvido pelo condomínimo.
Caso o edifício em questão tivesse outra destinação pública, a prefeitura não deveria liberar o habite-se enquanto a rampa não fosse readequada às normas. Eumara disse que as rampas construídas sobre as calçadas estão irregulares e que a fiscalização da prefeitura tem orientado os comerciantes. Ela afirmou ainda que a secretaria vem exigindo as rampas em construções novas e em reformas, além de locais onde o uso público é mais intenso.
O presidente da Adeficam tambem reclama da falta de rampas em algumas esquinas da cidade e do recape asfático feito na área central, que deixou um obstáculo entre a rampa e a rua. A prefeitura diz que fez fazendo as adaptações de acordo com as condições orçamentárias. Todas as escolas, creches e postos de saúde, por exemplo, já têm rampas. A lei municipal que obriga a construção de rampas está em vigor desde abril do ano passado.

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