James Alberti
De Curitiba
Os testes de aptidão física e mental realizados pelo Departamento de Trânsito (Detran) no Paraná para renovar e expedir a Carteira Nacional de Habilitação são duramente criticados pela Associação Paranaense de Deficientes Físicos (APDF). A postura do órgão seria intransigente, obrigando os deficientes a usar veículos adaptados desprezando os avanços da medicina, como próteses.
O presidente da APDF, Nivaldo Benin, afirma que os laudos dos únicos dois médicos que fazem os exames no Estado são unânimes: deficientes seriam obrigados a usar carros adaptados, que custam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil a mais que os comuns. Conforme Benin, há, no entanto, sistemas automáticos e controlados por computador que permitem os deficientes dirigirem normalmente.
Em função da postura dos profissionais do Detran do Paraná, segundo Benin, deficientes físicos que residem no Estado estariam procurando cidades de Santa Catarina para fazer as carteiras, onde encontrariam maior compreensão. Outra parcela de deficientes, afirma ele, está dirigindo ilegalmente, em descompasso com a habilitação.
A dificuldade dos deficientes ganha respaldo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). A associação realiza, entre os dias 20 deste mês e 23 de outubro, um curso na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, que tem como tema principal formas mais completas e sensíveis de exames.
O presidente da Abramet, Marcos Antônio Pirito, acredita que uma nova visão social diante dos exames pode mudar a cultura da sociedade, aumentando a segurança no trânsito. O ‘‘Curso de Capacitação para Médico Peritos em Medicina de Tráfego’’, segundo ele, também deve ensinar formas de rastrear possíveis doenças entre os candidatos a habilitação, o que pode evitar acidentes.
O coordenador do Departamento Médico do Detran, Roberto Campana, foi procurado pela Folha. Segundo a secretária do setor e a assessoria de imprensa, ele estava em reunião. Até o final desta edição, ele não havia retornado ligação telefônica.

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