Deficientes criticam obra no Calçadão
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
A Associação Paranaense dos Deficientes Físicos (APDF) solicitou ao Centro de Apoio Operacional da Promotoria de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiências que interpele judicialmente a Prefeitura de Curitiba para que modifique as obras de reforma do Calçadão da Rua XV de Novembro. O presidente da entidade, Nivaldo Menin, também reclama que o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) não fez absolutamente nada nos últimos quatro anos para adaptar os equipamentos públicos aos deficientes.
De nada adianta termos elevadores nas estações-tubo, por exemplo, se os deficientes não têm rampas de acesso para chegar até elas, criticou Menin. No ofício enviado à promotora Rosana Bevervanço, a APDF alega que o trecho entre a Rua Presidente Faria e a Praça Osório não oferece condições mínimas de segurança para o trânsito de cadeiras de rodas porque o material utilizado na pavimentação (petit pavê) não é adequado por não ser antiderrapante.
Menin informou que até ontem a promotora não havia respondido à entidade sobre quais medidas poderia tomar. Ele disse que a prefeitura deveria instalar uma pista exclusiva para o trânsito de cadeiras de rodas no calçadão. Os associados da APDF vão protestar no dia 18 de março, na Boca Maldita, contra a reforma. A prefeitura está fazendo uma pista tátil para os cegos, mas nós precisamos de um piso antiderrapante, que não seja como o petit pavê, que também é perigoso para os pedestres, justificou Menin.
O presidente do Ippuc, engenheiro Luiz Hayakawa, considerou a reclamação um exagero. Na reforma da Rua XV, o petit pavê que está sendo colocado é novo, com maior rugosidade e o piso ficará completamente plano, por isso descartamos a possibilidade de atender esta reivindicação., defendeu-se. Hayakawa também disse que o calçadão, por ser tombado pelo patrimônio cultural do Estado, não pode sofrer alterações arquitetônicas.
Quem usa o calçadão tem opiniões divergentes sobre a idéia da APDF. Os relojoeiros Paulo César Alonso e José Carlos da Silva apóiam a mudança do piso. Se for para beneficiar quem enfrenta dificuldades para trafegar por aqui, é claro que a prefeitura deveria utilizar uma parte da rua para atendê-los, afirmaram.
O comerciante Eugênio Beckert não vê necessidade na construção de uma pista exclusiva para deficientes. Nunca gostei do petit pavê, mas não acredito que quem usa cadeira de rodas tenha dificuldades para andar pela XV, salientou. Não é o que pensa a costureira Zenade Coelho, que se equilibra em duas muletas para poder caminhar. Vai ser ótimo se for colocado um piso antiderrapante porque o atual é muito liso, criticou.





