Maringá - Deficientes físicos prometem mais uma mobilização contra o projeto de lei que libera o uso das calçadas para comerciantes em Maringá. Aprovado em duas discussões, o projeto segue hoje para a última votaçãona Câmara. Os deficientes estão revoltados porque a proposta prevê que o comércio precisa deixar apenas 1,20 metro de espaço na calçada para o pedestre.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos dos Deficientes Físicos, Ana Paula Scramin, diz que a lei é a ''coisa mais vexatória e deprimente feita por representantes do povo''. Ana Paula reclama da falta de debates e da forma como a última sessão - que aprovou a lei por 16 a 4 votos - foi conduzida pelos vereadores. ''Deixaram o projeto para os últimos minutos e ainda fizeram um acordo para impedir os pronunciamentos'', relata a presidente do Conselho.
Ana Paula afirma que a prova de que as entidades representativas estão sendo impedidas de debater está no fato de que os vereadores rejeitaram uma emenda que permitiria indicações pelo Conselho Municipal. ''É uma falta de respeito dos vereadores'', declara.
Os deficientes físicos tentam há dias sensibilizar os vereadores demonstrando nas ruas que o vão de 1,20 metro é insuficiente para manobras em cadeiras de rodas. O coordenador do Centro de Vida Independente, Claudinei dos Santos, diz que o projeto implica em dificuldades para toda a comunidade e não só aos deficientes.
Para o comerciante Adilson Riciopo, dono de uma lanchonete no centro da cidade e que ocupa a calçada com mesas e cadeiras, os vereadores fizeram uma manobra para tentar agradar o comércio e deficientes, e se livrarem da discussão. Riciopo explica que o vão de 1,20 metro pode tornar a lei inconstitucional porque o espaço restringe o ir e vir, principalmente dos deficientes físicos. ''Eles (deficientes) já mostraram que o mínimo ideal é 1,60 metro'', diz o comerciante.
Conforme Riciopo, se a lei municipal for aprovada e uma ação judicial torná-la inconstitucional, os comerciantes correm o risco de perder o espaço. ''Porque daí a ocupação será de zero'', ressalta. Riciopo entende que a regulamentação dos atuais 25% de ocupação, previstos em lei, seria o ideal.
O vice-prefeito, João Ivo Caleffi (PT), afirma que irá ouvir técnicos da prefeitura e entidades ligadas aos deficientes para analisar o veto ou a sanção da lei. Além dos bares e lanchonetes, comerciantes de Maringá também utilizam calçadas para exposição de móveis, roupas e eletrodomésticos.

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