O Centro de Estudos Supletivos (CES) e a Associação de Pais e Amigos dos Surdos de Foz do Iguaçu (Apasfi) apresentarão na próxima terça-feira os primeiros resultados de um acordo verbal firmado há três anos. As duas entidades vão entregar os certificados de conclusão do curso ginasial a 12 deficientes auditivos.
A primeira formatura de um grupo de surdos na cidade será realizada no Oeste Paraná Clube. Para isso, enfrentaram muitas dificuldades em escolas de ensino regular. Os problemas do grupo, no entanto, começaram a acabar a partir de 1993, com a assinatura de uma Resolução da Secretaria Estadual de Educação.
Essa resolução possibilitou a matrícula de alunos surdos no CES. Como a entidade não dispõe de professores especialistas em deficiência auditiva, firmou um acordo com a Apasfi, que não possui ensino regular, apenas de reabilitação. Os 12 alunos que se formam esta semana foram acompanhados por cinco professores da Apasfi e oito do CES.
Segundo a diretora da Apasfi, Márcia Carrenho, a entidade trabalhará a partir do próximo ano com o sistema bilíngue. Serão empregados a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e o português como segunda língua.
Márcia explica que a experiência do sistema bilíngue ainda é nova no Brasil. Ela conta que dentro da própria linguagem de sinais existe o regionalismo.
A Apasfi é uma escola particular filantrópica que atende, em média, 160 alunos em três turnos. Cada turma tem no máximo dez estudantes. Atualmente a instituição dá assistência a dois alunos que cursam o Magistério. ‘‘Em breve eles poderão dar aulas aqui’’, diz Márcia.
Além de dar aulas aos deficientes auditivos da Apasfi, professores do CES também ensinam português e matemática a 24 presos do minipresídio de Foz e funcionários da Itaipu Binacional que não concluíram o 1º grau. Criada em 1986, a instituição oferece um ensino diferenciado a adolescentes e adultos que não concluíram os estudos.
A matrícula no CES é feita por disciplina e não por série. A frequência é livre e o aluno cria seu próprio horário, concluindo os estudos conforme seu tempo disponível e o ritmo de aprendizagem. O professor dá as orientações. O aluno se prepara para as provas e só faz a avaliação quando se sentir apto.
Geralmente, cada módulo corresponde a uma avaliação a ser feita. A nota mínima para aprovação em cada módulo é 5 e o aluno tem direito a fazer três recuperações por módulo se não atingir a média.

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