James Alberti
De Curitiba
Parentes e amigos do deficiente mental Ariel Fereira de Paula fazem hoje, às 16 horas, o segundo protesto pedindo justiça em frente à delegacia de Campo Magro, Região Metropolitana de Curitiba. Na delegacia, está preso Daniel Cordeiro de Jesus, 21 anos, que confessou o assassinato. A vigilante Lucimara Aparecida Luiz, 24 anos, sobrinha da vítima, afirma que outras cinco ou seis pessoas estariam envolvidas no homicídio. Todos os acusados são adolescentes. Três deles são da mesma família e um é primo de Cordeiro de Jesus.
O deficiente mental foi espancado e degolado na noite de sexta-feira passada. O corpo, com o rosto completamente desfigurado, foi encontrado no sábado de manhã na Estrada da Freguesia, na localidade rural de Conceição dos Túlio, no município de Campo Magro. ‘‘Ele era doente, uma criança que não fazia mal para ninguém. A gente acredita que pegaram ele por diversão’’, acusa Lucimara.
O delegado Edson Renato Teixeira de Brito, que está em Campo Magro há 20 dias, acredita que o deficiente foi morto somente por Cordeiro de Jesus. ‘‘Ele praticou o crime sozinho e confessou para mim’’, afirma Brito. O delegado afirmou ter ouvido oito testemunhas de que os adolescentes acusados pela família não ficaram num bar com a vítima e o acusado. ‘‘Eles saíram antes, para o lado oposto de onde foi encontrada a vítima.’’ Ao depor, Cordeiro de Jesus alegou que o deficiente mental tentou forçá-lo a manter relações sexuais. O delegado espera laudo do Insituto Médico Legal (IML) para confirmar ou recusar a versão do acusado.
Morador da localidade de Conceição da Meia Lua desde seu nascimento, o deficiente mental, que tinha 50 anos, foi perseguido e espancado, antes de ser morto. ‘‘Haviam restos de cacos de garrafa e sangue por 300 metros’’, conta a vigilante. Depois do espacamento, Ferreira de Paula foi degolado com o gargalo de uma garrafa.
No domingo passado os familiares e amigos do deficiente fizeram um protesto em frente a delegacia. A manifestação teria impedido a libertação de Daniel de Jesus, que ainda não havia confessado o crime. O acusado é sobrinho de um vereador da cidade. O delegado nega que ele seria solto.
Conforme Lucimara, a família do deficiente não está disposta a deixar o caso passar em branco. ‘‘A polícia demora a investigar. Queremos justiça. Uma pessoa está presa, mas não foi só uma pessoa que cometeu o crime’’, acusa. Segundo ela, os parentes e amigos de Ferreira de Paula estão chocados. ‘‘É muito difícil saber que uma pessoa da família foi morta desta forma.’’

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