Deficiente tenta superar barreiras urbanas
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sábado, 14 de setembro de 2002
Karla Matida<br> Reportagem Local 
No final do ano, a estudante Lucievelyn Marrone, 23 anos, vai conquistar uma vitória tão sonhada por muita gente: receber o diploma de um curso superior. Na mesma época da formatura, Lucievelyn também vai estar completando cinco anos de um acidente de automóvel que a colocou numa cadeira de rodas.
''Morria de medo de estar nesse último ano de faculdade'', explica Lucievelyn, que passou o ano fazendo estágios em creches, escolas e postos de saúde. ''As pessoas não esperam entrar na sala e encontrar uma pessoa numa cadeira de rodas e sem um braço'', conta. Para ela, a primeira semana foi a mais difícil. ''Eu ficava mais constrangida que as pessoas, mas agora já superei'', garante.
Logo após o acidente, Lucievelyn passou cerca de oito meses entre sua casa e o hospital. Foi o tempo suficiente para se recuperar e decidir que queria sair e voltar a estudar. ''Já pensava em fazer nutrição antes do acidente e nas conversas que tive com nutricionistas nos hospitais descobri que poderia exercer a profissão'', lembra.
Além de futura nutricionista, Lucievelyn também é pintora. No ano passado chegou a expor suas telas de flores e paisagens e este ano doou uma obra para um evento beneficente. Entre os estudos e a pintura, ainda encontra tempo para digitar trabalhos no computador para outras pessoas.
Para fazer a faculdade, ela contou com apoio da mãe e do irmão. ''Eu dependo do meu irmão para ir para os estágios porque aqui ainda não há ônibus especiais para cadeiras de rodas'', diz ela. Além do problema de transporte, também encontra dificuldade em se locomover nas calçadas esburacadas, passar por rampas onde quase sempre tem um carro estacionado na frente e entrar de cadeira de rodas nos elevadores quase sempre pequenos.
Para discutir problemas como estes 23 entidades ligadas às diferentes áreas de deficiência se reuniram durante dois dias na 1 Conferência Municipal das Pessoas Portadoras de Deficiência. Um conselho de 32 membros foi eleito ontem à tarde e será reconhecido pela prefeitura. ''O prefeito tem 30 dias para nomear o conselho, que trabalhará para garantir o direito dos portadores de deficiência'', explica Martinha Clarete Dutra dos Santos, presidente da comissão organizadora.


