Um grupo de 15 deficientes visuais (totalmente cegos ou com subvisão, isto é, abaixo de 30% da normal) estão fazendo curso profissionalizante em telemarketing. O curso é promovido pela Associação dos Deficientes Visuais de Londrina, Rolândia e Cambé, através de convênio com a Federação das Apaes do Paraná e a Secretaria Estadual do Emprego e das Relações do Trabalho, com recursos do Fundo de Apoio ao Trabalhador. A certificação será fornecida pelo Serviço Nacional do Comércio (Senac).
César AugustoJúnio Alonso: sem obstáculosO curso, de 40 horas, começou no dia 14 e prossegue até o próximo dia 5, com aulas nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 18 às 22 horas, na sede da entidade. O endereço é Avenida Alexandre Santoro, 871, no Jardim Alto da Boa Vista (zona norte de Londrina). ‘‘Esta é a primeira turma e representa um desafio muito grande, e gratificante, para mim’’, diz o instrutor Antônio Roberto Pereira, que ministra também o curso regularmente oferecido pelo Senac.
Segundo o instrutor, o conteúdo do curso ministrado para os deficientes visuais é o mesmo destinado a não deficientes. A diferença é apenas no método pedagógico. ‘‘As fitas de vídeo são substituídas por áudio (K-7) e há apresentação de histórias e anedotas para facilitar o aprendizado.’’
Antônio Roberto assegura que a única impossibilidade de o deficiente visual desempenhar a função de operador de telemarketing é o preconceito. ‘‘Os principais pré-requisitos para o bom desempenho dessas atividades são a atenção e a dedicação, combinadas com a memorização. Esses atributos são muito mais desenvolvidos nos deficientes visuais’’.
Maria Aparecida Alves: cidadaniaO instrutor adianta que está à disposição dos empresários que se interessarem pela contratação de deficientes visuais para o trabalho de telemarketing. ‘‘São necessárias algumas pequenas alterações ou adaptações, como o sistema de digitação em braille e a substituição do sistema de leitura em vídeo por um programa de voz’’, orienta Antônio Roberto, oferecendo assessoria gratuita inclusive para estudos de viabilização econômica do sistema e acompanhamento do trabalho inicial dos deficiente.’
Também para os portadores de deficiência visual que fazem o curso, a única barreira é o preconceito. ‘‘Tenho a segurança de afirmar que superado o preconceito não haverá nenhum obstáculo para que possamos desempenhar muito bem as atividades de operador de telemarketing’’, garante Júnio César Alonso, de 26 anos, formado em história.
Maria Aparecida Alves, 43 anos, que estuda o 1º grau no Centro de Estudos Supletivos, destaca a importância de a sociedade, sobretudo o empresariado, considerar o lado humano dos deficientes visuais. ‘‘Assim como qualquer pessoa, temos potencialidades e podemos exercer plenamente a cidadania, com todos os direitos e obrigações.’’

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