Hoje, às 8h30, Izabel Cristina Soares Lopes, 30 anos, de Londrina, será submetida a um exame de ressonância magnética. Com dificuldades de movimentos nos braços e pernas, ela vinha tentando a liberação do exame através do Sistema Único de Saúde desde novembro. Ontem, o grupo Ultramed leu a reportagem publicada na Folha e se dispôs a fazer o exame gratuitamente.
Órfã de pai e mãe, Izabel Lopes mora com a irmã em uma casa no Jardim Vale Verde (zona leste). Apesar da deficiência nas pernas e braços, ela ajuda nos afazeres domésticos. Para isso, tem que se arrastar sobre um banquinho de madeira.
Dorico da SilvaTakeda: sensibilizadoIzabel Lopes já passou por oito cirurgias nas pernas e agora precisa ser submetida a um exame de ressonância magnética para descobrir as causas de suas deficiências físicas. A guia de liberação do exame foi pedida junto à Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação (Daca) da secretaria de Saúde e ela foi informada que a lista de espera está cheia até dezembro.
Ontem à tarde, a supervisora da empresa, Silvana de Freitas, e a enfermeira do setor de ressonância magnética, Debora Kruger, foram até a casa de Izabel Lopes para dar a notícia sobre o exame. ‘‘Fiquei muito contente, já tinha pedido ajuda para tanta gente e ninguém tinha conseguido nada’’, disse, bastante emocionada.
Sorridente, Izabel Lopes afirma que, apesar da sua situação estar piorando, ela nunca perdeu as esperanças. ‘‘Sempre fui uma pessoa bastante otimista e acredito em Deus’’, ressalta. ‘‘Eu tenho certeza que vou conseguir andar’’, acrescenta.
A enfermeira passou algumas orientações a Izabel Lopes e informou que o exame não é agressivo para a paciente. Através deste procedimento, segundo ela, poderá verificar a medula, o sistema vascular e da musculatura periférica da coluna. Ela explica que será feito também estudo da base do crânio. O resultado sairá em 24 horas.
O diretor da Ultramed, Mauro Takeda, diz que ficou sensibilizado ao ler a reportagem. Segundo ele, no dia-a-dia aparecem casos de pessoas carentes que necessitam deste tipo de exame. ‘‘Sempre tentamos resolver o problema dos pacientes, mas é um quebra-galho que gostaríamos de tentar resolver junto à secretaria de Saúde’’, observa.
Atualmente, o exame para pacientes particulares custa em torno de R$ 750,00. Mauro Takeda diz que em março de 1997 enviou proposta ao Conselho Municipal de Saúde oferecendo 20 exames mensais ao preço unitário de R$ 300,00. ‘‘Mas até agora não obtivemos resposta. Esta é uma oportunidade para abrir a negociação sobre esta questão’’, afirma.
Em entrevista à Folha anteontem, o secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, que é presidente do Conselho Municipal de Saúde, disse que há um convênio com a Santa Casa para a realização de 20 exames por mês, ao custo de R$ 7 mil - o que daria um preço unitário de R$ 350,00. Ontem, o secretário informou que não tinha os valores exatos no momento da entrevista e que os valores pagos à Santa Casa não são de R$ 350,00 por exame. ‘‘Na verdade, o valor varia de R$ 268,00 a R$ 315,00 por exame’’, disse.

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