Deficiente ganha a vida batendo bola pelo mundo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de março de 1998
Osmani Costa 
Dorico da SilvaEduardo Martins de Souza nasceu em uma família humilde, há 38 anos, num bairro pobre de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Aos oito meses de idade ele teve paralisia infantil, que o deixou sem movimentos na perna esquerda e quase completamente cego do olho direito.
Abandonado pelos pais aos dois anos, Eduardo foi criado pelos avós. Passou por 11 cirurgias e começou a trabalhar - catando latas, alumínio e papéis velhos para vender - com oito anos, antes de entrar na escola. Depois, foi estudar à noite e cursou até a 5ª série. Hoje, anda graças a um aparelho tutor fixado à perna e a duas muletas de alumínio.
Mas, apesar de todas as dificuldades, o deficiente físico não se contentou em apenas andar. E também não se conformou em crescer trancado no quintal da casa dos avós, sendo sustentado sem nada produzir. Desde criança, gostou muito de futebol, apesar de não poder praticá-lo.
Eduardo cresceu - casou e tem dois filhos -, foi sobrevivendo, trocando atividades econômicas autônomas até que descobriu há três anos, meio por acaso, que pode fazer acrobacias com uma bola de futebol usando as muletas, a cabeça, os ambros e muita habilidade (foto). Daí, ele não parou mais. Já esteve em países da Europa e na Argentina, sempre se apresentando em praças públicas em troca de doações espontâneas.
Ontem, ele estava no Calçadão de Londrina. Hoje, estará na rua das Flores de Curitiba. Mais que força de vontade, este meu equilíbrio e a minha destreza são um dom da graça de Deus, afirma Eduardo de Souza.


