Deficiente foi morto por causa de R$ 10
James Alberti
De Curitiba
A família do deficiente mental Ariel Ferreira de Paula, 50 anos, acredita que ele pode ter sido morto por causa de R$ 10,00. O dinheiro que ele carregava na carteira teria desaparecido depois do homicídio, que ocorreu na noite de sexta-feira passada. Amigos e parentes do deficiente fizeram ontem o segundo protesto pedindo justiça em frente à delegacia de Campo Magro, Região Metropolitana de Curitiba. Na delegacia, está preso Daniel Cordeiro de Jesus, 21 anos, que teria confessado o assassinato.
O protesto começou às 16 horas, durou pouco mais de uma hora e foi pacífico. Os irmãos do deficiente mental reafirmaram acreditar que cinco adolescentes da localidade de Conceição da Meia Lua, interior de Campo Magro, estão envolvidos no homicídio.
O delegado de Campo Magro, Edson Renato Teixeira de Brito, acredita que Jesus cometeu o crime sozinho e diz que o caso está encerrado. O delegado aguarda apenas os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística para terminar o inquérito.
Brito afirma que oito testemunhas foram ouvidas e disseram que os adolescentes acusados foram embora de ônibus antes de Jesus e a vítima. Todos estavam em um bar na localidade de Conceição dos Túlio, que fica próxima a Conceição da Meia Lua. O deficiente e o acusado teriam ido embora à pé, algumas horas depois dos adolescentes.
Para os familiares da vítima, no entanto, o delegado deixou de ouvir a principal testemunha: o motorista do ônibus. Segundo a professora Roseli de Paula Luiz, 49 anos, e o funcionário público Osmail Ferreira de Paula, 44 anos, irmãos do deficiente mental, o motorista Joelmir dos Santos teria afirmado que os adolescentes desceram do ônibus antes de chegar a localidade de Conceição da Meia Lua, onde residem. Eles desceram próximo ao local do crime, teria dito o motorista para Roseli.
A professora afirma ainda ter ficado sabendo que os adolescentes chegaram em casa de madrugada e embriagados. Nós temos certeza que foram mais pessoas que cometeram o crime. Nós e toda a comunidade, disse. Cerca de 350 pessoas residem em Conceição da Meia Lua.
O delegado acredita que tudo não passa de boato. Para Brito, a morte não foi causada por dinheiro. Não tem nada disso, afirmou. O dinheiro não foi achado. Segundo o delegado, a causa da briga foi agressões mútuas. Os dois estavam bêbados. O Ariel tentou agredir o Daniel e ele procurou se defender, disse.
Segundo a vigilante Lucimara Aparecida Luiz, 24 anos, sobrinha da vítima, o deficiente mental foi perseguido e espancado, antes de ser morto. Haviam restos de cacos de garrafa e sangue por 300 metros, contou. Depois do espancamento, Ferreira de Paula foi degolado com o gargalo.





