Cadeirantes, deficientes visuais e pessoas com outras deficiências ou mobilidade reduzida tornaram-se o centro das atenções dos trabalhadores do Aeroporto de Londrina nesta semana. Em cumprimento à Política de Acessibilidade da Infraero, funcionários das empresas de aviação e do aeroporto participaram, desde segunda-feira, de um curso sobre o tema promovido pelo Comitê Nacional de Acessibilidade da empresa (Conaces).
As aulas, que focaram a melhoria no atendimento às pessoas com deficiência, terminaram com uma experiência prática. Na manhã de ontem, os alunos utilizaram cadeiras de rodas, vendas nos olhos e talas nas pernas para simular a realidade das pessoas com mobilidade reduzida no acesso aos serviços do aeroporto.
A agente de aeroporto Aline Polônio foi uma das que vivenciou as dificuldades enfrentadas por cadeirantes. ''O mais difícil é não poder se locomover com facilidade e ficar num nível de visão diferente do das outras pessoas'', avaliou. Ela, que já atendeu vários clientes com necessidades especiais, aprovou o conteúdo do curso por julgar que ainda falta ''paciência'' aos trabalhadores do local. ''Temos que aprender a aceitar as diferenças e agir com respeito'', afirmou.
A aprendiz de agente de aeroporto Dayane Domingos transitou pelo saguão com uma venda nos olhos e considerou que a maior dificuldade enfrentada por deficientes visuais são os obstáculos. ''A sensação é de total insegurança'', disse a moça, que considerou o curso ''extremamente necessário''. ''Agora estou melhor preparada para lidar com o público que tem mobilidade reduzida.''
Rosangela Lopes, instrutora do Conaces, esclareceu que o aeroporto de Londrina oferece boas condições de acessibilidade. ''O foco maior do curso foi sensibilizar os colaboradores para que atendam adequadamente as pessoas com mobilidade reduzida. A maior dificuldade ainda é o preconceito'', considerou.
Segundo ela, idosos, gestantes, adultos com crianças de colo, obesos, baixa estatura e pacientes em tratamento de saúde, como, por exemplo, as pessoas com a perna engessada, também fazem parte do grupo considerado de ''mobilidade reduzida''. ''Há pelo menos dois passageiros com essas características em cada vôo'', avaliou.
Além da simulação, no encerramento do curso o presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Paulo Lima, deu um depoimento pessoal sobre deficiência física. Músico, ele se apresentou para os funcionários e usuários do aeroporto acompanhado das filhas. O evento contou também com a participação de bailarinas da APS-Down e para-atletas de Londrina.
Militante em defesa das pessoas com deficiências, Lima elogiou a iniciativa da Infraero e aproveitou para lembrar que essa parcela da população não deve ser encarada com sentimentos de piedade. ''As pessoas com deficiências não precisam de pena, precisam de respeito.''

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