Deficiente espera liberação de exame há quatro meses
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Osmani Costa 
Para cuidar dos seis sobrinhos menores, varrer a pequena casa de três cômodos, cozinha e lavar os utensílios domésticos, Izabel Cristina Soares Lopes tem que se arrastar sobre um banquinho de madeira. Solteira, com 30 anos de idade, ela tem problemas congênitos nas pernas e nunca andou normalmente. As mãos também foram se atrofiando com o tempo, até perder quase completamente os movimentos, há cerca de 15 anos.
Órfã de pai e mãe, ela mora na casa da irmã Vera Lúcia, que é casada e tem seis filhos, no Jardim Monte Carlo (zona leste de Londrina). Izabel Lopes já se submeteu a oito cirurgias nas pernas, e diz não perder a esperança de um dia poder andar. Ultimamente, no entanto, ela tem perdido até o sono por não conseguir a guia de liberação para uma ressonância magnética.
A guia de liberação para o exame - que custa cerca de R$ 750,00 se for realizado em laboratório particular - foi solicitado pela médica neurologista Mônica Marcos de Souza, que atende Izabel Lopes no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O pedido foi encaminhado à responsável pela Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação (Daca) da Autarquia Municipal de Saúde, Rosângela Aurélia Libanori, no dia 18 de novembro do ano passado.
Tenho fortes dores na coluna e nas pernas. Sinto que minha situação está piorando, e não me conformo com tanta demora na liberação de um exame que é importante para mim, reclama Izabel Lopes. Segundo ela, a ressonância magnética poderia determinar as causas das deficiências físicas. Antigamente, os médicos suspeitavam que fossem resquícios de uma paralisia infantil, mas esta hipótese já está descartada. Agora, a médica acredita que eu tenha problemas na medula. A Folha não conseguiu localizar, ontem a neurologista Mônica de Souza.
De acordo com Izabel Lopes, a diretora do Daca, Rosângela Libanori, teria dito que não libera este tipo de guia para exame particular nem que o pedido seja feito pelo Papa; e a lista de espera para a ressonância está cheia até dezembro deste ano. A diretora da Autarquia de Saúde não deu retorno às ligações telefônicas da Folha na tarde de ontem.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, explica que o procedimento da diretora do Daca é justificável. O SUS não cobre este tipo de exame, que é muito caro. No Fundo Municipal de Saúde, temos recursos para liberar 20 ressonâncias por mês, o que custa R$ 7 mil na Santa Casa através de um convênio. Infelizmente é pouco, porque temos uma demanda de 20 exames por dia. Por isto, realmente a espera é longa, afirma o secretário, ressaltando que Londrina é o único município do Paraná que banca este tipo de exame com recursos próprios.


