Deficiente eleva críticas à Comurb
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Célia Baroni 
Ainda não é desta vez que a Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) de Londrina vão levantar a bandeira branca. A derrubada da liminar que impedia a implantação da lei municipal do passe livre - que garante aos portadores de deficiência o transporte gratuito - não mudou a situação dos deficientes, que continuam sem o benefício.
A lei ainda não foi colocada em prática e o presidente da Adefil, Elder Raimundo Senne, acusa a Comurb de má vontade para fazer valer a lei. A argumentação do presidente da Comurb, Cleber Tóffoli, de que a lei é impraticável e precisa ser regulamentada, não convence a Associação. Tóffoli afirma que, entre outros problemas, a lei não estabelece limite de renda para se ter acesso ao benefício. Nem determina quais as regras a triagem deve seguir.
Para resolver o problema, defende, a Comurb vai precisar negociar com outras secretarias a estrutura necessária para fazer a triagem. O objetivo da lei é beneficiar o deficiente carente. E, para isto, precisamos triar quem realmente precisa, complementa. Tóffoli fala também da dificuldade de operacionalizar o transporte dos beneficiados. Ele diz que as carteirinhas não resolvem o problema e a Comurb terá de emitir passes para eles. A lei é muito abrangente e beneficia pessoas portadoras de várias doenças. Vamos ter de estabelecer um controle sobre isso também.
Na sua opinião, à exceção dos deficientes físicos, os demais vão ter de passar pela catraca. Não poderão ficar na parte da frente do ônibus para não prejudicar os demais usuários, comenta.
Senne, no entanto, afirma que as argumentações da Comurb não têm procedência. Ele lembra que, no ano passado, a Secretaria de Ação Social realizou uma triagem para averiguar a necessidade dos portadores de deficiência que pleitearam o benefício. O presidente da Adefil observa que todos passaram por exames médicos.
Concluída a triagem, a administração passada da Comurb mandou confeccionar 2.300 carteirinhas que, segundo a Adefil, já estão prontas para entrega. Não há motivos para a Comurb segurar as carteirinhas. A triagem já aconteceu.
Senne defende ainda que nem a falta de regulamentação justifica a demora na liberação do benefício. A Comurb devia ter pensado nisto antes. Isso só pode ser entendido como descaso do poder público com o nosso problema. As pessoas inscritas precisam do benefício. Ninguém está querendo o passe livre para passear.
Tenho conhecimento das dificuldades enfrentadas por eles, afirma Tóffoli. Mas deixa claro que não irá liberar as carteirinhas feitas pela administração passada. Ele acredita que a regulamentação da lei esteja concluída até a primeira quinzena de março, quando a Comurb deve equacionar os problemas principais da lei e, provavelmente, emitir novas carteirinhas.


