Edson MazzettoNa lutaRosalino Fogaça e o filho Sílvio dividem o trabalho da escavaçãoO operário Rosalino Fogaça de Almeida, 76 anos, morador do Parque São Paulo, em Cascavel, ganha a vida cavando poços em quintais de residências. Ele estima que já tenha cavado ‘‘pra lá de uns dois mil poços’’. Rosalino é deficiente, perdeu a perna esquerda aos 29 anos.
Foi exatamente em um ‘‘Dia do Trabalho’’ no ano de 1951. Ontem, ele se preparava para começar um novo poço, em Corbélia. ‘‘Vai ser no Dia do Trabalho mesmo. É pra comemorar’’.
Pai de sete filhos, Almeida era agricultor em Santa Catarina e gostava de caçar. Quando tentava abater passarinhos, enfiou um espinho na mão. Ao retirá-lo, descuidou-se e encostou a outra mão no gatilho da espingarda calibre 16. O tiro acertou sua perna, provocando grande ferimento. A amputação foi inevitável.
Pacientemente, ele reaprendeu a coordenar os movimentos do corpo, amparado na muleta, e mesmo equilibrado apenas em uma perna, continuou carpindo na lavoura.
‘‘Nunca pensei em parar, porque a gente é do trabalho mesmo’’, diz. ‘‘Só há 2 anos é que passei a receber o salário mínimo da Previdência’’.
Depois de aprender a abrir poços, veio morar em Cascavel, em 1966. ‘‘Vi que era bom negócio porque naquela época a cidade ainda não tinha um metro de rede de esgoto’’.
Hoje, auxiliado pelo filho Sílvio, de 33 anos, divide com ele uma renda mensal de aproximadamente R$ 800,00. Rosalino afirma que a deficiência física não prejudica. ‘‘Só o gás que sai do poço é que me preocupa’’, diz.

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