Kraw PenasComo taxista Gilmar Abreu e Silva, coleciona histórias curiosasGilmar Abreu e Silva, 37 anos, ficou paraplégico em 1982 num acidente de trânsito. O drama não impediu que ele voltasse ao mercado formal de trabalho como taxista. ‘‘Dirigir é uma forma de liberdade para a pessoa que é deficiente’’, define Gilmar, que trabalha 12 horas por dia.
O taxista já rodou 500 mil quilômetros em quatro anos de profissão e orgulha-se de nunca ter se envolvido num acidente de trânsito durante o trabalho. ‘‘Peguei uma experiência muito grande’’, afirma, dizendo que nunca sofreu discriminação por parte das pessoas que utilizam seu táxi. O gosto pelo volante veio da família, que tem vários taxistas.
Histórias inusitadas não faltam. Gilmar conta que levou dois passageiros para Antonina e depois os trouxe de volta para Curitiba. Nos 160 quilômetros de ida e volta, ele diz que ninguém percebeu que o carro funcionava de forma diferente das comuns.
‘‘Tive que contar para eles quando chegamos em Curitiba’’, recorda Gilmar. Em outro caso, o taxista levou um estudante para a escola. O rapaz se interessou pela barra de ferro abaixo do volante que é o comando de freio, embreagem e acelerador. ‘‘Ele disse que era um equipamento que poderia servir para deficientes, mas não sabia que eu era um deles’’, diz.
Apesar de Curitiba carregar a fama de ser uma cidade de primeiro mundo, Gilmar diz que falta muito para que isso se torne realidade. ‘‘As construções que já existem são uma brincadeira. Só agora é que o pessoal está tomando consciência que os deficientes também têm seus direitos’’, diz.

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