Curitiba - Os advogados do policial civil Daniel Luiz Santiago Cortes vão tentar anular o julgamento dele, finalizado ontem de madrugada na 1 Vara do Tribunal do Júri de Curitiba. Cortes foi condenado a 12 anos e dez meses de prisão por fraude processual, denunciação caluniosa, falsidade ideológica e tortura.
O policial e outros integrantes da Polícia Civil foram acusados de participação no caso Zanella. Em maio de 1997, o estudante Rafael Rodrigo Zanella foi morto em uma abordagem policial no bairro de Santa Felicidade. Cortes, que era superintendente do 12º Distrito Policial (DP) na época do fato, não participou da abordagem: ele foi denunciado por supostamente ter colaborado para adulterar a cena do crime, de forma a parecer que o estudante e seus amigos eram traficantes e teriam reagido à ação policial. Os policiais também foram acusados de terem ameaçado e torturado os jovens para que não revelassem a verdade.
Os advogados informaram que vão pedir a anulação porque o Ministério Público teria utilizado slides e volumes de outros casos sem que houvesse aviso prévio à defesa. Além disso, os advogados alegaram que já houve prescrição da acusação de fraude processual. A respeito do mérito, a defesa argumentou que não há provas concretas da participação de Cortes nos fatos.
''Parece que qualquer réu do caso Zanella entra no tribunal já pré-julgado'', afirmou o advogado Maurício Cruz Arruda. Cortes também foi condenado à perda do cargo na Polícia Civil, mas essa pena só terá efeito quando o caso transitar em julgado.
Hoje, vai a júri Carlos Henrique Dias, escrivão do 12º DP na época do fato, e na segunda-feira será julgado Maurício Fowler, que era delegado-adjunto da unidade. Ambos são acusados também de terem atuado na farsa. Três pessoas já foram julgados e condenados.

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