Albari RosaNo banco dos réusCelina (dir.) negou que conhecesse o pai-de-santo Marcineiro na época do crime. Trabalhos recomeçam hoje às 9hO primeiro dia do julgamento de Celina e Beatriz Abagge, mãe e filha acusadas de terem assassinado o menino Evandro Ramos Caetano durante um ritual de magia negra em abril de 1992, em Guaratuba, foi marcado pela tentativa dos advogados de defesa de desqualificarem uma das testemunhas de acusação. Davina Ramos, tia do menino, não obedeceu a ordem da juíza Marcelise Weber Lorite para que as testemunhas não se comunicassem com a imprensa. No primeiro intervalo do julgamento, logo após a formação do Conselho de Sentença, Davina foi flagrada pelos advogados concedendo entrevistas a uma rádio.
Assim que o julgamento recomeçou, depois de uma pausa de 15 minutos, o advogado de defesa Antônio Figueiredo Basto pediu o afastamento da testemunha, que segundo ele havia ‘‘quebrado uma ordem judicial’’. A juíza Marcelise não aceitou o pedido do advogado e manteve Davina entre as testemunhas de acusação. A partir de agora, seguindo ordens da juíza, ela deverá ficar incomunicável até o dia do interrogatório.
O julgamento de Celina e Beatriz, iniciado ontem em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), está previsto para durar entre sete e dez dias. Ontem, antes do início do interrogatório, uma das juaradas pediu para ser afastada por questões de saúde e foi substituída após um novo sorteio. Para garantir a segurança das rés, que passaram a ser chamadas de ‘‘Bruxas de Guaratuba’’ e que tiveram suas casa apedrejadas na época do assassinato, mais de 50 policiais foram designados para fazer a guarda do Fórum. Nenhum incidente foi registrado ontem.
Durante todo o julgamento, Celina e Beatriz permaneceram sentadas lado a lado. Atendendo a um pedido do advogado de defesa, a juíza suspendeu a escolta feita por duas policiais militares durante o período em que as rés estiverem sendo julgadas. A primeira a depor ontem foi Celina, que parecia um pouco nervosa. Ela negou que conhecesse Marcineiro na época do crime, e voltou a afirmar que sabia que sua filha havia participado de um ‘‘trabalho espiritual’’ anterior desenvolvido pelo pai-de-santo. A juíza proibiu a imprensa de dar detalhes sobre os depoimentos das acusadas para evitar que as notícias influenciem os relatos das testemunhas.
O primeiro dia do julgamento estava previsto para ser encerrado às 22h. Hoje, os trabalhos recomeçam às 9h com o depoimento de Beatriz. Outros cinco homens - o pai-de-santo Oswaldo Marcineiro, seus auxiliares Davi Soares e Vicente de Paula, e os funcionários públicos Sérgio Cristofollini e Airton Bardelli - também são acusados pela morte do garoto. O julgamento de Marcineiro, Soares e de Paula já havia sido iniciado no dia 9 de março, mas acabou sendo interrompido porque uma das juradas, recém-operada, passou mal e o Conselho de Sentença foi dissolvido. Os três deverão voltar a júri no dia 22 de abril. O julgamento de Bardelli e Cristofollini está marcado para o dia 13 de abril.

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