Defesa tenta alegar problema mental
Paulo Pegoraro
O advogado Sérgio Bond Reis, que defende o carpinteiro Altair Rodrigues de Farias, 29 anos, acusado de no final de março praticar atos de selvageria e estrangular a menina Maiara da Silva, 8 anos, de Cascavel, disse ontem que pedirá à Justiça a realização de exame de sanidade mental de seu cliente, que ele atende gratuitamente. Porque uma pessoa em domínio de suas faculdades mentais não poderia ter feito o que fez, justifica.
O advogado anunciou o pedido após audiência no Fórum, na qual o juiz da 2ª Vara Criminal Rosaldo Pacagnan ouviu testemunhas de acusação. Nenhuma testemunha de defesa foi arrolada, porque o acusado é réu confesso.
Na audiência, os pais de Maiara, o pintor José Roberto da Silva, 31 anos, e a dona de casa Maria da Silva ficaram pela primeira de frente com o carpinteiro. Outro momento delicado foi o da acareação do acusado e do radialista Celsuir Veronese, 29 anos. Após cometer o crime, o carpinteiro telefonou para o radialista dizendo que queria encontrá-lo para desabafar.
O radialista foi ao encontro de Altair mas antes avisou a Polícia, o que resultou na prisão do acusado. Maiara da Silva foi encontrada no dia 29 de março no sanitário de uma associação recreativa de servidores públicos, no bairro Colméia (zona norte).
O corpo tinha sinais de estrangulamento, hematomas no rosto, um sabonete entalado na garganta e o tubo de plástico do porta-toalhas na vagina. Altair, pai de três filhos e separado da mulher, encontrou a menina na rua e a convenceu a acompanhá-lo, prometendo dar brinquedos.
À Polícia e aos jornalistas Altair disse que tentou estuprar a menina, mas não conseguiu porque estava bêbado. Ele disse que enfiou o sabonente na boca da menina porque ela gritava. Depois cometeu o estrangulamento e enfiou o tubo plástico na vagina. Ontem, porém, seu advogado afirmou que ele sustenta que apenas teve um branco (perda momentânea do raciocínio).
Sergio Bond Reis aceitou defender Altair gratuitamente porque ele é pessoa carente e todos têm direito à defesa, mas admitiu que a tarefa é quase impossível por se tratar de réu confesso e não haver qualquer argumento defensável, a não ser o de desequilíbrio mental. E, neste caso, ele teria que ir para um sanatório.
Durante a audiência o acusado não conseguiu encarar os pais de Maiara. Embora revoltados, José Roberto da Silva e a esposa Maria disseram acreditar em justiça.
O radialista Celsuir Veronese, que apresenta um programa de variedades na Rádio Colméia, disse que foi angustiante o encontro com Altair e salientou ter cumprido com o seu dever ao avisar a Polícia que o criminoso o esperava em um bairro na zona leste, no dia 9 de abril.
No dia anterior, Celsuir havia recebido telefonema do carpinteiro e gravou longa conversa. Altair, segundo disse o radialista, demonstrava alteração do estado psicológico e alertava que se a Polícia aparecesse no local, haveria mais um morto, no caso o próprio radialista.





