Defesa quer acarear duas testemunhas
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terça-feira, 07 de abril de 1998
Cristine Pieske 
Marcelo AlmeidaDepõeSilva: resultados próximos a 100% na identificação do corpoOs advogados de defesa de Celina e Beatriz Abagge anunciaram ontem que pretendem pedir a acareação entre duas testemunhas da acusação e do juízo do caso Evandro. A intenção dos advogados é confrontar os depoimentos do perito criminal Arthur Conrado Drischel e do médico legista Francisco Moraes e Silva, que divergiram sobre a identidade do corpo encontrado abandonado num matagal em Guaratuba.
Drischel, que depôs no sábado, convocado pela juíza, colocou em dúvida o laudo que identificou o corpo como sendo de Evandro. Em seu depoimento, o perito disse que o cadáver media 1,19 metro - altura que, segundo ele, seria inadequada para uma criança de 7 anos. Moraes e Silva, arrolado pela acusação e que iniciou seu depoimento no final da tarde de ontem, afirmou que as características do corpo correspondem às de Evandro e que apenas um leigo não teria percebido as semelhanças. A medida de 1,19 metro é possível em uma criança de 7 anos e qualquer outra mesuração só pode ter sido feita por uma pessoa sem conhecimentos técnicos, disse.
Marcelo AlmeidaCelina e Beatriz: acusação de envolvimento em outras duas mortes
Outra contradição existente no depoimento das duas testemunhas é quanto à habilidade de quem teria feito as incisões no corpo do garoto. Drischel afirmou que os cortes pareciam ter sido feitos por mãos experientes, próprias de um médico ou técnico da área. Moraes e Silva, entretanto, disse que um especialista teria cortado o tórax do menino a partir da cartilagem, e não na altura do osso, como foi feito.
Moraes e Silva, que atualmente ocupa o cargo de diretor-geral do Instituto Médico Legal, é uma das principais testemunhas da acusação e seu depoimento era um dos mais aguardados pelos advogados da defesa. Logo no início do interrogatório, ele foi categórico ao afirmar que os métodos científicos utilizados para identificar o corpo da vítima garantem resultados muito próximos a 100%. O depoimento incomodou a defesa, que pretende questionar até mesmo os exames de DNA feitos no corpo, que confirmaram a identidade de Evandro.
O médico legista afirmou também que pelas características de rigidez e temperatura, o garoto Evandro teria sido morto pelo menos três dias antes de chegar ao IML. Durante o exame, Silva identificou a presença de sete lesões externas, entre as quais uma ferida produzida por um instrumento cortante e contudente, provavelmente uma faca, e algumas escoriações próximas ao pescoço causadas por formigas.


