Defesa pode usar carta de suicida
Marcelo AlmeidaAntonio Figueiredo Basto, advogado de defesa, voltou a dizer ontem que vai pedir a prisão de testemunhasUma suposta carta de despedida escrita pelo médico Raul de Moura Rezende poderá ser utilizada pela defesa para tentar comprovar que houve falhas no processo criminal de Celina e Beatriz Abagge. Até o momento, a carta não foi apresentada à imprensa nem tem sua existência confirmada pelos advogados da acusação. Apenas os advogados de defesa, a família do médico e a polícia tiveram acesso ao seu conteúdo.
Segundo o advogado Osmann de Oliveira, a mensagem deixada por Raul de Moura Rezende ocupa quase uma página e trata basicamente de uma despedida endereçada a sua família. Oliveira, que esteve reunido com um primo-irmão do médico que recebeu a carta, o juiz do Tribunal de Alçada Luiz Gonzaga Milani de Moura, disse que o legista em nenhum momento do texto cita sua mãe, sua esposa ou seus filhos. O julgamento é mencionado apenas num agradecimento feito por Rezende a Milani de Moura, que teria levado o médico até o Fórum de São José dos Pinhais no dia 25 de março, data de compromisso das testemunhas do caso.
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O fato de Rezende não citar sua mãe na carta chamou a atenção da defesa, já que o médico sempre dizia estar deprimido porque sua mãe está com câncer, em fase terminal. Várias vezes ele pediu para ser dispensado do julgamento do caso alegando que não poderia se afastar de casa porque precisava cuidar de sua mãe.
A defesa é reticente em afirmar se vai ou não pedir que a carta seja levada ao tribunal. Estamos com a nossa estratégia pronta e acho que não precisamos mexer em nada para ganhar este júri, diz Antônio Figueiredo Basto. O promotor Celso Ribas diz que ainda não tomou conhecimento oficial da carta e que deverá ser opor caso a defesa queira incluir a mensagem no processo. Se esta carta existe, ela foi escrita por uma pessoa em um momento de desequilíbrio e por isso não pode ser levada a sério, disse.
O promotor informou também que já pediu ao procurador geral do Estado, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, para designar um promotor para acompanhar as investigações sobre as razões da morte do legista.





