Londrina - Preparo físico e mental. Confiança para manter a calma em situações extremas e agir no momento certo. Estes são os mandamentos básicos da defesa pessoal. Uma técnica que exige treinamento e que atrai especialmente quem atua no ramo da segurança. A escalada da violência, porém, tem motivado profissionais de outras áreas a também aprenderem a se defender de ladrões.
Os responsáveis pelos treinamentos ensinam que é necessário ter consciência se a melhor opção é reagir ou fugir. Contra assaltantes armados com revólveres, por exemplo, a dica é sempre evitar o confronto.
Esta foi a postura do microempresário Antonio Carlos Cavalheiro Neto, 29 anos, praticante de shorinji kempo há cinco anos. A arte marcial, explica, prioriza a autodefesa, a autoconfiança e a saúde. E manter a calma foi um dos principais ensinamentos que colocou em prática em situações de risco, como quando foi abordado por dois homens armados. Cavalheiro revela que ficou espantado com a própria calma e conseguiu até negociar para que os bandidos deixassem os documentos. Mas para escapar de um ataque de ladrão armado de faca, reagiu, desarmou o assaltante e o colocou para correr. "Nos treinamentos, trabalhamos o estado de espírito. Para reagir, é preciso ter confiança e muito tempo de treino", adverte.
O microempresário é aluno da academia do mestre Salvador Yukihide Kanehisa, na Zona Leste. O grupo é heterogêneo -com praticantes dos 6 aos 63 anos. Também não há limitação quanto à atividade profissional. Policial, advogado, empresário, médico. Qualquer um pode praticar o shorinji kempo, que une técnicas de outras artes, como judô, karatê, aikido e jiu-jitsu.
A filosofia de fazer amigos foi um dos fatores que atraíram a advogada Neusa Maria Ferrari, 52.
A prática da arte marcial proporcionou melhoria na saúde
através, segundo ela, de equilíbrio físico e mental. "O principal não é saber como reagir, mas manter a calma em qualquer situação. A pessoa que domina a técnica não se assusta e aprende a se defender sem ferir o oponente", ressalta.
Modalidade olímpica, o tae-
kwondo também pode ser usado para a defesa pessoal. O mestre Josué Lima ensina as técnicas numa academia da Zona Oeste, tanto para quem trabalha no ramo da segurança quanto para profissionais de
outras áreas.
O atendente de lanchonete
Túlio Marçola, 20, está no curso há cinco meses. Frequentador de academia, onde faz musculação, interessou-se pela defesa pessoal recentemente. A dificuldade para aprender os exercícios, garante ele, ocorreu só nos primeiros dias. Agora, o praticante vê evolução na agilidade e na atenção. "A gente aprende até a cair e fica mais atento ao andar na rua", comenta.
Os seguranças Edson Luiz da Silva, 31, Cláudio Bueno e
Daniel dos Santos Batista, ambos com 32, têm em comum a preocupação com atualização profissional. Para eles, o treinamento é uma necessidade de mercado. E as técnicas aprendidas com o mestre são usadas no dia-a-dia. Imobilização e estrangulamento, por exemplo, precisam ser feitos da forma correta para evitar o risco de machucar o oponente.
O diferencial da defesa pessoal, destaca o professor, é que não há regras. Vale de tudo: puxão de cabelo, dedo no olho, mordida. "É uma questão de sobrevivência na rua. Quando sua vida está em risco, não tem regra", ressalta Lima. O mestre de taekwondo estima que um ano de treinamento é suficiente para o aluno estar bem preparado para situações de rua. Ele explica que o principal trunfo da vítima é a surpresa. O assaltante nunca espera uma reação. Por isso, é necessário estar atento para perceber um momento de distração para golpear e correr.

Prevenção
A defesa pessoal não se limita ao aprendizado de técnicas de reação. Os alunos também são preparados para prevenir os crimes. Recebem dicas sobre cuidados para andar nas ruas à noite, dirigir com segurança, entre outras. E até de como portar-se num assalto. Também aprendem que qualquer objeto pode ser usado como arma, de cartão telefônico a relógio e caneta.
E o instrutor salienta que a disciplina é essencial. "Quem quiser fazer o treinamento para brigar na rua pode desistir. Ele pode até bater em alguém hoje, mas corre o risco de morrer amanhã", alerta Lima.

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