Defesa de sindicalistas tenta novo habeas-corpus
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quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Edna Mendes<BR>De Londrina 
Os advogados de defesa dos sindicalistas presos em Porecatu (85 km ao norte de Londrina) entram hoje com um pedido de habeas-corpus no Supremo de Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. O julgamento do segundo pedido de habeas-corpus feito ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, previsto para ontem, não aconteceu. O TJ alegou falta de informações e solicitou que o juiz Evandro Luiz Camaparoto, da Vara Criminal de Porecatu, forneça maiores detalhes sobre a prisão dos sindicalistas Evanildo Pinto Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero. Eles são acusados de extorquir a Usina Central do Paraná.
Na semana passada, o TJ concedeu habeas-corpus aos três acusados justificando que existem falhas no andamento do processo porque as testemunhas foram ouvidas antes das vítimas. No mesmo dia, o juiz Camparoto decretou a prisão preventiva deles alegando que a liberdade dos acusados oferece risco à sociedade.
Um dos advogados que defendem os sindicalistas, Giovane Macedo, disse que o pedido de habeas-corpus ao STJ será impetrado hoje porque as informações solicitados pelo TJ ao juiz Camparoto vão protelar ainda mais a soltura dos sindicalistas. Isto significa que nossos clientes vão permanecer mais tempo presos injustamente. Por isso nos antecipamos e apelamos ao STJ, disse.
De acordo com o advogado, o juiz tem cerca de dez dias para prestar as informações ao Tribunal de Justiça. Entre as informações solicitadas estão o motivo que o levou a decretar a prisão preventiva dos sindicalistas.
Os acusados pertencem ao Sindicato dos Rodoviários de Londrina. Eles foram presos em flagrante, em 23 de junho com R$ 200 mil que tinham acabado de receber de diretores da Usina Central. A empresa armou um flagrante para que a polícia os prendesse. Segundo diretores da usina, os sindicalistas ameaçavam promover uma greve, caso a empresa não fizesse o pagamento. Na semana passada, 13 testemunhas de acusação foram ouvidas durante audiência no Fórum de Porecatu. Nos próximos dias serão ouvidas as testemunhas de defesa.
A usina e o sindicato travam uma batalha antiga por causa de problemas trabalhistas. Em fevereiro, os funcionários fizeram uma greve de 20 dias e denunciaram várias irregularidades a 9ª Procuradoria Regional do Trabalho, de Curitiba, que até hoje investiga as denúncias. Os sindicalistas presos alegam que o dinheiro flagrado com eles era o pagamento de uma dívida que a empresa tem com o sindicato.


