Defesa de Rosemary depõe no Paraguai
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Lúcio Horta 
O juiz paraguaio Gustavo Ocampos Gonzales ouviu segunda-feira, no Palácio de Justiça de Assunção, capital do Paraguai, as duas primeiras testemunhas de defesa arroladas no caso da londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa desde maio de 1996 acusada de tráfico de drogas. Foram ouvidos, nesta primeira etapa dos depoimentos, o deputado federal Nedson Micheleti (PT) e o juiz do trabalho Reginaldo Melhado. Nos dias 21 e 22 de setembro, outras seis testemunhas deverão ser ouvidas pelo juiz. Em seguida, Gonzales deverá anunciar a sentença.
O advogado Jorge Custódio Ferreira, irmão de Rosemary, informou que o objetivo dos depoimentos é mostrar à Justiça do Paraguai que a irmã trabalhava em Londrina, tinha amigos na cidade e, até a prisão, nunca tinha se envolvido com traficantes. Ela teria sido enganada pelo narcotráfico internacional ao responder uma falsa oferta de emprego para trabalhar como secretária executiva na Europa. Acabou sendo obrigada a transportar quatro quilos de cocaína - presa no corpo com fita adesiva - e foi surpreendida pela polícia do Paraguai no aeroporto de Assunção quando embarcava para a Espanha.
Em seu depoimento, o juiz do trabalho Reginaldo Melhado confirmou à Justiça paraguaia que Rosemary trabalhou com ele, em 1991, como digitadora do escritório de advogacia. A brasileira também trabalhou com o advogado Carlos Roberto Scalassara, presidente do Centro de Direitos Humanos de Londrina e advogado do Sindicato dos Bancários de Londrina.
O deputado Nedson Micheleti, que foi secretário geral da entidade, confirmou a informação para o juiz Gustavo Gonzales. Os depoimentos foram importantes porque atestam que ela era uma pessoa honrada e com capacidade para exercer o cargo de secretária, oferecido pelo anúncio de jornal, disse ontem Jorge Custódio.
As outras testemunhas, que serão ouvidas no próximo mês no Paraguai, são o advogado Lauro Zanetti, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, que empregou Rosemary durante cinco anos como operadora de micro e secretária executiva; Ulisses Dalman e Adriana Dalman, vizinhos da brasileira; o vereador Célio Guergoletto, autor da lei 6.676, de julho de 96, que obriga a pessoa ou empresa a apresentar o RG ou CGC para publicar um anúncio; Agnaldo Santos, ex-marido de Rosemary; e o advogado João Gomes dos Santos Filho, ex-professor.
Além dos depoimentos, a comitiva que foi até Assunção segunda-feira também teve reuniões com autoridades paraguaias para discutir o caso. Entre elas está a presidente do Comitê de Mulheres do Paraguai, Mirta Rivarola; e também o deputado Nestor Caba¤as, que se comprometeu a informar à Justiça paraguaia que existe uma preocupação no Brasil para que o caso seja logo solucionado. O grupo também visitou Rosemary, que está na Penitenciária Correcional de Mulheres Bom Pastor.
Para permitir o pagamento das despesas com a viagem das testemunhas foi lançada uma campanha. Quem quiser contribuir pode fazer depósito na Caixa Econômica Federal, agência 394, conta 13.327900-1.


