Defesa de militares alega que trote foi brincadeira
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domingo, 20 de novembro de 2005
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A defesa dos militares acusados de participarem de um trote no 20º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB) do Exército, em Curitiba, alega que tudo não passou de uma brincadeira, que teria acontecido com a concordância de todos os envolvidos.
Entre as provas e argumentos que o advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto apresentará no desenrolar do Inquérito Policial Militar (IPM), estão imagens de confraternização que ocorreu, segundo Basto, depois do trote. Nas imagens, todos aparecem sorrindo.
A defesa forneceu as fotos à Folha, retiradas da filmagem do trote e da festa. ''A parte final, do churrasco de confraternização, não foi mostrada na televisão. O que ocorreu foi uma encenação, com o consentimento deles. Não há lesões corporais, portanto não há crime'', argumentou Basto, em entrevista à Folha.
A denúncia do trote foi feita há uma semana, no programa Fantástico, da TV Globo. Doze sargentos temporários da 2 Companhia de Fuzileiros, conhecida como ''Pantera'', estão sendo investigados pela suposta prática de tortura e maus tratos dentro da unidade que fica dentro do 20º BIB. As imagens divulgadas pelo Fantástico mostraram cenas de choques elétricos e chineladas nas plantas dos pés, além de ameaças de queimaduras com ferro de passar roupa. Outros foram temporariamente afogados. Basto alega que os militares não têm lesões.
Questionado sobre a possibilidade de uma confraternização posterior não excluir, necessariamente, um trote violento, Basto reiterou que não houve violência, que foi tudo uma encenação. ''É um grupo jovem, junto há tempos, foi uma brincadeira'', repetiu.
A denúncia de trote no batalhão culminou com o afastamento, no início da semana, do comandante do 20º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB) em Curitiba, tenente-coronel de infantaria Ernani Lunardi Filho. O Comando da 5 Região Militar, ao qual o 20º BIB está subordinado, conduz um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso.
O IPM está sob a responsabilidade do tenente-coronel Ilton Barbosa, oficial da 5 Brigada de Cavalaria Blindada e tem 40 dias para ser concluído, mas pode ser prorrogado por mais vinte dias.
Por enquanto, o major Luiz Carlos de Oliveira Barreira, subcomandante do 20º BIB, responderá pela função de Lunardi. Segundo a chefia da Seção de Comunicação da 5 Região Militar, o trote foi considerado ''inadmissível'' e ''uma atitude isolada''.


