Curitiba - A defesa do ex-comandante do Corpo de Bombeiros Jorge Luiz Thais Martins, preso por suspeita de matar nove pessoas, protocolou um requerimento para que o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), assuma integralmente a investigação dos crimes. A expectativa é que os promotores decidam ainda hoje sobre o pedido. Para um dos advogados de Martins, Elias Mattar Assad, apenas o Gaeco tem condições técnicas de apurar os fatos.
Assad divulgou ontem argumentos que baseiam a defesa técnica do coronel reformado. Ele alega ter álibis e conduta exemplar antes dos crimes. ''As descrições prévias não coincidem com as características do preso e os veículos mencionados nunca lhe pertenceram e/ou jamais os utilizou. Sua arma, entregue para perícia, jamais disparou um tiro sequer'', afirmou o advogado.
No entanto, o delegado responsável pelo caso, Cristiano Augusto Quintas dos Santos, confirmou, na semana passada, que testemunhas dos ataques reconheceram o coronel Martins como autor dos crimes. A defesa rebate o argumento ao implicar que ''o induzido reconhecimento na Delegacia somente foi feito após ampla exposição do preso na mídia'' e que a condição das testemunhas também é questionável, já que muitos admitiram estar sob efeito de álcool ou drogas no momento dos crimes. Outro ponto apontado por Assad é o fato de Martins não ter sido intimado para prestar esclarecimentos durante o andamento das investigações.
Martins é suspeito de matar nove pessoas no mesmo bairro onde seu filho foi assassinado por usuários de drogas durante um assalto, em 2009. Ele começou a ser investigado após uma das vítimas ter conseguido escapar. Nenhuma das pessoas mortas - todas usuárias de drogas - teria ligação com a morte do filho do coronel. As execuções aconteceram entre outubro de 2010 e janeiro de 2011.
Assad acredita que as mortes derivam de ''criminalidade altamente organizada'' e que deveriam ser investigadas uma a uma, já que, na opinião dele, a correlação entre elas seria prematura. O advogado diz que deve entrar com habeas corpus nesta semana alegando que o coronel não tem antecedentes criminais e que não existem motivos para um pedido de prisão preventiva.

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