Defesa das Abagge não acredita em novo julgamento James Alberti De Curitiba Os advogados de defesa de Celina e Beatriz Abagge acreditam que elas não irão passar por novo júri, em virtude da anulação do primeiro julgamento pelo Tribunal de Justiça do Paraná no começo desta semana. Celina e Beatriz, mãe e filha respectivamente, foram absolvidas em abril de 98 da acusação do assassinato de Evandro Ramos Caetano, 7 anos, num ritual de magia negra em Guaratuba, Litoral do Estado. Evandro desapareceu no dia 6 de abril de 92, quando ia para escola distante cerca de 100 metros de sua casa. As acusadas foram inocentadas num julgamento que durou 35 dias e foi o mais longo da história do Brasil. O Ministério Público recorreu da decisão dos jurados e a 2ª Câmara Criminal do TJ acatou o recurso. O advogado Osmmann de Oliveira, um dos três que defendem as Abagge, afirmou ontem que irá recorrer da decisão do TJ. A defesa tem dez dias de prazo para ingressar com recurso, a partir da publicação da decisão no Diário Oficial, o que não havia ocorrido até ontem. Osmmann de Oliveira disse acreditar que o Grupo de Câmaras Criminais do TJ, formado pela 1ª e 2ª Câmaras Criminais, que julgará o recurso, deverá acatar os ‘‘embargos de nulidade’’ da defesa, mantendo o resultado do primeiro júri. Se isso não ocorrer, os advogados devem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Para Osmmann, não são verdadeiros os argumentos que levaram a 2ª Câmara Criminal a anular o júri. O Ministério Público alega que a defesa foi beneficiada, durante o julgamento, por ter ouvido mais testemunhas que a acusação. Osmmann argumentou, porém, que a acusação arrolou o mesmo número de testemunhas que a defesa, mas durante o julgamento desistiu de parte delas. ‘‘Logo, não há nulidade porque o Ministério Público usou do mesmo expediente’’, afirmou.

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