A Comissão de Defesa Civil (Comdec) de Londrina vai formar subcomissões para cadastrar os sem-teto que ocupam áreas públicas da Cidade e organizar a remoção das famílias para loteamentos populares que serão criados pelo município. Essas idéias foram apresentadas ontem pelo presidente da Comdec e diretor-presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Wilson Mandelli, durante reunião com membros da Defesa Civil no auditório da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
Segundo Mandelli, a intenção da Prefeitura é evitar problemas como os que aconteceram semana passada em São Paulo, quando três sem-teto morreram em conflito com a Polícia Militar durante cumprimento de uma ação judicial de despejo em um condomínio.
Mandelli explica que as subcomissões vão cadastrar as 600 famílias que vivem hoje em 35 terrenos ocupados irregularmente, sendo 17 deles em fundos de vale. A Comdec também deve analisar as condições dessas famílias e acompanhar a remoção para os loteamentos populares.
Para Mandelli, a solução mais rápida seria a instalação das famílias na área de 158 alqueires da fazenda Refúgio, na zona sul da Cidade, que pode ser dividida em 6.800 lotes. Só que a compra dessa área pela Prefeitura, durante a segunda administração do prefeito Antonio Belinati, foi contestada e a liberação está sub judice.
A outra alternativa também depende de uma solução judicial. É a utilização dos 47 alqueires do Mirante Eldorado (zona norte) para criação de 3.800 lotes populares.
O município não vai estudar outros locais para loteamento popular sem a decisão judicial sobre a fazenda Refúgio, avisa Mandelli. ‘‘Se a Justiça disser que a Cohab não pode usar a fazenda Refúgio, então vamos procurar outro lugar’’, ressalta. ‘‘Por isso, queremos que a Justiça julgue o processo o mais rápido possível.’’
O presidente da Cohab acredita que o custo da instalação das famílias na fazenda Refúgio não é caro porque elas pagarão pelos lotes. Ele reconhece que vai ser preciso abrir ruas, instalar água, luz e providenciar outras melhorias. A prioridade, segundo Mandelli, será dada às 30 mil famílias que estão na fila da Cohab para compra da casa popular. ‘‘A prioridade é a lista. Mas haverá espaço reservado para colocar as outras (600 famílias de sem-teto). Além disso, Mandelli acredita que grande parte dos inscritos na Cohab já desistiu de financiar via município a compra da casa própria.
O presidente da Cohab reafirmou a decisão da Prefeitura de não permitir novas invasões de sem-teto na Cidade. Ele reconhece que o município não tem como impedir invasões. ‘‘A Cohab e a Prefeitura não têm milícia particular’’, diz. Mas alega que os novos invasores não terão o mesmo tratamento destas 600 famílias que serão encaminhadas para os loteamentos populares. ‘‘Toda vez que houver invasão, nós vamos pedir a reintegração de posse’’, anuncia.
Mandelli diz que não há chances de as 30 mil famílias cadastradas na Cohab conseguirem o financiamento da casa popular. É que a Caixa Econômica Federal não acredita que a Prefeitura de Londrina tenha condições de pagar novos empréstimos. Esta foi a resposta que o diretor-presidente da Cohab e o deputado federal Nedson Micheletti (PT) receberam da Secretária Nacional de Política Urbana, Maria Emília Lopes, em recente reunião no Ministério do Planejamento. ‘‘Pelo déficit apresentado nos últimos quatro anos, a secretária avalia que a Prefeitura não tem condição de pagamento. Mas eu discordo porque quem vai pagar o financiamento é o próprio mutuário’’, ressalta.
A dívida da Cohab junto à Caixa Econômica Federal é de aproximadamente R$ 20 milhões, sendo R$ 15 milhões referentes a outros municípios da região. O índice de inadimplência na Cohab atinge hoje 40% dos mutuários.
Participaram da reunião, ontem pela manhã, o deputado Nedson Micheletti, o vice-prefeito Alex Canziani, a secretária de Ação Social, Marisa Goettel, a chefe da Coordenadoria da Mulher, Cleide Camargo, a secretária de Cultura, Ângela Marçal, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Marino Ari Burille, o comandante interino do Corpo de Bombeiros, Aluisio Costa Curta Vieira, representantes do Fórum, do Rotary, do Clube de Engenharia e Arquitetura e de outras entidades que fazem parte da Defesa Civil de Londrina.
O prefeito Antonio Belinati esteve no auditório da Codel já no final da reunião, por volta das 11 horas, e concordou com o pedido do deputado Micheletti para a realização, em breve, de uma Conferência Municipal de Habitação, para a discussão do problema dos sem-teto.

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