Defesa Civil pede doações para Rio Negro
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terça-feira, 04 de maio de 2010
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Rio Negro - A dona de casa Adriana Marques Nunes vai todos os dias até a residência onde mora, na Rua Nelson de Almeida, em Rio Negro (Sudoeste). Porém, pode ver a casa apenas de longe, já que a água do rio Negro que atingiu o local ainda não recuou totalmente. A enchente afetou 1.380 moradores do município no dia 26 de abril. Dos 9,48 metros que a água subiu, até ontem havia baixado apenas 2 metros. A maior parte das famílias desabrigadas já conseguiu voltar para casa, mas muitos continuam na residência de parentes. Ainda existem 30 famílias abrigadas no ginásio de esportes da cidade.
Adriana visita a casa com frequência por um motivo específico: dificultar a ação dos ladrões. ''Eu fico aqui sempre que posso. Mas de noite eles vão de bote e assaltam as casas. Uma vizinha minha disse que já quebraram um telhado da minha casa. Devem ter levado alguma coisa'', lamenta. A residência dela, toda feita em madeira, nem havia secado totalmente desde a enchente de janeiro deste ano, quando poucas casas foram danificadas. ''Quando a água chega, a minha casa é a primeira a ser atingida e a última a ser liberada''. A dona de casa já perdeu a conta de quantas vezes teve que sair de lá por conta das frequentes enchentes. Esta é a terceira vez apenas neste ano.
Ela conseguiu tirar roupas e eletrodomésticos com um caminhão do Corpo de Bombeiros, mas perdeu armários, camas e outros móveis. Não deu tempo de salvar tudo pois a água subiu muito rápido. ''Na segunda-feira (26 de abril) eu acordei já dentro d'água. Queria sair depois do almoço, mas a Defesa Civil falou que não dava para esperar. A tarde a água tinha tomado tudo'', relata.
O aposentado João Costa mora próximo de Adriana, mas onde a residência dele está localizada a água recuou totalmente na manhã de ontem. Sobrou muito barro, sujeira e móveis destruídos. Costa calcula um prejuízo de aproximadamente R$ 3 mil, isso porque conseguiu retirar parte dos objetos. O que ele mais lamenta é não ter conseguido tirar um grande guarda-roupa que havia acabado de construir.
O aposentado não perdeu tempo e começou a limpar a casa ontem mesmo. ''É mais fácil tirar o barro quando ainda está mole''. Mas tudo teve que ser feito com balde e vassoura, já que a energia elétrica continua desligada para não correr o risco de curto-circuito.
As pessoas que já voltaram para casa recebem vacinas contra tétano, febre amarela e hepatite. Elas também ganham um kit de limpeza da prefeitura. Equipes da Defesa Civil avaliam se as casas sofreram abalos nas estruturas.
Dinheiro
As pessoas atingidas pela enchente têm o direito de retirar o valor que possuem no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Porém, isso pode demorar aproximadamente seis meses. As famílias que sofreram com a enchente de setembro do ano passado no município de Rio Negro conseguiram tirar o dinheiro apenas no final do mês passado.
A Prefeitura de Rio Negro tem realizado a entrega de alimentos aos abrigados no ginásio de esportes. As doações do público em geral ainda não são suficientes. Moradores de qualquer cidade do Paraná podem fazer doações diretamente na Defesa Civil de cada município.
A prefeitura encaminhou um ofício ao Governo Federal pedindo por mais verba para tentar realojar os moradores para regiões onde não existe o risco de inundação. Não há previsão de quando este dinheiro será liberado.


