No domingo, por volta das 12h30, a telefonista Wilsa Prante preparava o almoço na cozinha com sua mãe. O marido estava na sala, brincando com os três filhos, de onze meses, três e nove anos. De repente, ouviram o estrondo nos fundos da casa. ''Parecia um som de batida. Tudo começou a cair, de uma vez'', lembra Wilsa.
A telefonista conta que, com a chuva forte, toda a área de serviço de sua residência, no número 125 da Rua Maria José Vieira da Silva no residencial Verona, zona leste de Londrina , veio abaixo. ''Perdi tanque, roupas, um monte de coisa. Foi um milagre ninguém estar nos fundos na hora em que aconteceu'', diz Wilsa. De sexta-feira até domingo, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil atenderam cinco ocorrências de desabamento parcial de residências em toda a cidade e cinco casos de alagamento de casas.
A família da telefonista morava na casa há três anos. O imóvel tem valor de mercado de R$ 25 mil. Wilsa e o marido realizaram um financiamento na Caixa Econômica Federal (CEF), pagaram uma entrada de R$ 8 mil e passariam quinze anos pagando parcelas. A telefonista culpa o engenheiro responsável pela construção da casa pelo incidente. ''Mostrei as infiltrações e as rachaduras e ele dizia que não era nada. Só às vezes ele colocava uma massinha. E foi tudo feito com material de terceira'', critica.
Wilsa está vivendo temporariamente com a família na casa de vizinhos, no mesmo bairro. Sua vizinha, Ieda Rita dos Santos, assistente contábil, também se mudou. Sua casa é geminada com a de Wilsa e apresenta as mesmas rachaduras e infiltrações.
Wilsa afirma que não quer voltar à casa e que quer da CEF outro imóvel no mesmo valor. O engenheiro responsável pela obra, Maurício Tadeu Alves Costa, explica que o pedaço da residência que caiu não é tão extenso como a moradora denuncia (a telefonista estima que uma área de cinco por oito metros foi derrubada pela chuva). ''Caiu apenas um muro de arrimo. Estou arcando com os custos da reconstrução do pedaço atingido, se o seguro depois decidir pagar alguma coisa, vamos ver. Mas foi tudo um acidente, ocasionado pela chuva'', argumenta Costa.
O engenheiro afirma que irá pagar o aluguel de uma casa para a família de Wilsa morar durante o período de obras. Ele discorda das críticas da moradora de que o incidente aconteceu devido à má construção da casa. ''Existem telhas e calhas que com o tempo estragam. A residência foi aprovada pela CEF e nesta região existem várias casas iguais a ela. Tudo foi feito com responsabilidade'', diz Costa.
A Caixa Seguros, que regulamenta os seguros contra avarias climáticas das residências financiadas pela CEF, entregará até o final da semana um laudo que definirá se a queda do pedaço da casa foi um acidente ou falha de construção. Segundo a assessoria da Caixa, Wilsa não pode exigir outra casa porque a residência atingida foi escolhida por ela e a CEF apenas financiou o dinheiro para a compra.

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