Moradores do Norte Pioneiro tentam retomar a vida depois do transbordamento dos rios da região, no último fim de semana, que resultaram em mortes e muita destruição. Homens da Defesa Civil municipais e do Estado trabalham no levantamento do prejuízo, enquanto a população de boa parte das cidades já consegue se comunicar pela telefonia celular, além de terem energia elétrica e abastecimento de água reestabelecidos.
A 2 Coordenadoria Regional da Defesa Civil em Ponta Grossa (Campos Gerais) montou uma base operacional em Jaguariaíva para atender esse município, além de Arapoti e Sengés. Na manhã de ontem o corpo de um homem que estava desaparecido desde sexta-feira foi encontrado pelos bombeiros. Com isso, são cinco mortes registradas somente em Sengés, um dos municípios mais atingidos pela água do Rio Jaguaricatu - que passa dentro da cidade e chegou a cinco metros acima de seu nível normal.
De acordo com o capitão Arlisson Sanches, da Defesa Civil, as cidades já não estão mais com problemas de alagamento mas a dificuldade da população ainda é em relação ao transporte. Isso porque as rodovias da região ainda estão interditadas. ''Ontem (domingo) transportamos seis pesssoas de Sengés para o hospital de Jaguariaíva, entre elas uma grávida. Também levamos uma grávida para Itararé'', relatou.
Ainda de acordo com o capitão Sanches, como já está dois dias sem chover, o Rio Jaguaricatu já voltou ao normal. ''Apesar disso, continuamos monitorando as condições climáticas na região'', ressaltou. Lojas e mercados de Sengés que não foram afetadas pela água voltaram a abrir ontem a pedido da Defesa Civil.

Pessoas ilhadas
Em São José da Boa Vista, cerca de 50 pontes que passam sobre o Ribeirão Pescaria e Água do Pinhal foram afetadas. Segundo o servidor público Idoneu Merlo Filho, que atua na Defesa Civil do município, ontem alguns moradores da zona rural continuavam ilhadas, mas mas não houve registro de feridos nem mortos. Segundo levantamento da Defesa Civil estadual, esse município, que tem sete mil habitantes, está com 150 pessoas desabrigadas.
A 3 Coordenadoria Regional da Defesa Civil em Londrina enviou dois caminhões com 5 mil litros de água cada para Tomazina, que ainda sofre com o abastecimento na região. ''Continuamos colocando as estruturas da Defesa Civil à disposição e estamos monitorando a situação. Nos próximos dias teremos levantados os reais números de todo o estrago naquela região'', disse.
Segundo informações da Sanepar, 40% de Sengés ainda enfrenta desabastecimento devido à destruição da rede, que teve a sua tubulação arrastada pelo rio. Como a cidade está isolada por via terrestre, os técnicos dependem do helicóptero da Defesa Civil do Paraná para dar continuidade aos trabalhos, cuja previsão de término é para hoje à tarde.
Outra situação crítica é em Tomazina, onde, pela cheia do Rio das Cinzas, que corta a cidade, não é possível fazer a captação de água. A Sanepar ainda não tem previsão de quando a unidade será reconstruída. A Sanepar ainda enfrenta problemas em Pinhalão, Arapoti e São José da Boa Vista.

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