Para implantar um sistema de Defesa Civil preventivo, rápido e eficaz, o primeiro passo é conscientizar a socidade civil de que ela tem responsabilidades a cumprir. Inspirados no modelo institucionalizado nos EUA e Europa, mais do que acostumados a fenômenos climáticos, representantes de 63 cidades da região Norte e Norte Pioneiro do Estado querem tirar do papel as atribuições das Comissões Municipais de Defesa Civil. Ontem à tarde, no 1º Encontro Regional de Diretores Operacionais, em Londrina, o 1º tenente Maurício Genero, do Corpo de Bombeiros, porta-voz da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, reforçou a participação social em desastres meteorológicos ou acidentes.
''O slogan 'a Defesa Civil somos nós' ilustra muito bem o que pretendemos desenvolver. Este modelo participativo funciona em todo o mundo e pode ser implantado também em nosso País. Mas é preciso trabalhar a cultura das pessoas, potencializar a sociedade civil através da atuação dos conselhos municipais de Defesa Civil'', argumentou o oficial.
No Paraná, 100% dos municípios (ou 399 cidades) possuem conselhos locais. O grande desafio, no entanto, é colocar tudo isso em prática. O subcomandante do 3º Grupamento de Bombeiros, major Dario Natan Bezerra, admite que a Defesa Civil da região Norte ainda está longe de alcançar um patamar aceitável de organização social. ''Ainda não temos uma defesa organizada. No Brasil, o processo começou de cima para baixo, excluindo a participação da população por vários motivos. Em países como os EUA, Portugal, Espanha e Japão, a comunidade está acostumada há anos se mobilizar quando percebe que o próximo está em dificuldade. É uma questão cultural'', ponderou Natan.
No acidente que envolveu dois ônibus de transporte escolar, ocorrido em fevereiro no km 118 da BR-369, entre Jataizinho e Cornélio Procópio, quando dois jovens morreram e mais 50 pessoas ficaram feridas, uma Defesa Civil organizada poderia agir de forma rápida e reduzir a gravidade das consequências do desastre. ''Houve participação, mas desorganizada. Nestes momentos, nosso povo é solidário, sensível às dificuldades do próximo, mas não tem informação para agir como deveria. Num sistema organizado, quanto mais rápido você começa agir, menores são as consequências do fato'', disse o major.
Outra questão importante é diagnosticar os fenômenos naturais que uma determinada região está sujeita. Com um mapa de risco, o trabalho de prevenção executado por voluntários e oficiais, ligados à Comissões Municipais de Defesa Civil, torna-se mais fácil e eficiente. ''Com o mapa, sabemos por exemplo que na região Oeste do Paraná temos vendaval e chuva de granizo em determinadas épocas do ano, e já montamos uma infra-estrutura em cima desta situação. No litoral, onde a incidência de enchentes em janeiro e fevereiro também é grande, a mesma coisa'', ilustrou o tenente Genero.

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