Defesa Civil atrai 1.014 voluntários
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Luka Morais 
Mário CesarPrevençãoBorges Vieira, da Defesa Civil: Estamos desenvolvendo um trabalho também para situações de normalidadeLondrina tem 1.014 pessoas dispostas a colaborar com a Defesa Civil em situações de calamidade ou campanhas em defesa da vida. A informação foi dada ontem pelo chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Luiz Antonio Borges Vieira, que apresentou ao prefeito Antonio Belinati dados do projeto Telecidadão, que cadastrou os voluntários.
Participaram da divulgação dos dados o diretor presidente da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), Francisco Krassuski, o presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), Wilson Mandelli, o representante regional do órgão, tenente-coronel Marino Ari Burille, secretários e vereadores.
O Telecidadão, segundo Vieira, é um projeto-piloto desenvolvido em Londrina e que deverá ser levado a outras cidades do Estado. Através da iniciativa, a Celepar manteve contatos telefônicos, de novembro de 1996 a abril de 1997, com 2 mil londrinenses. Destes, 1.014 decidiram se cadastrar como voluntários. Poderemos ter um número bem maior, se considerarmos toda a população, observou Krassuski, da Celepar.
Além do grau de conhecimento dos londrinenses a respeito da Defesa Civil, através do Telecidadão foi possível traçar um perfil do voluntário com informações sobre os que são doadores de sangue, tipo sanguíneo, estado de saúde. Dos entrevistados, 57% já ouviram falar em Defesa Civil e 70% manifestaram interesse em colaborar com o trabalho.
Dos ouvidos, 17% são doadores de sangue e 60% estão dispostos a fazer a doação em caso de emergência. Outros dados coletados pelo Telecidadão retratam o quadro alarmante dos acidentes no trânsito, no trabalho e também os domésticos. Esse tipo de informação, explica Borges Vieira, foi levantada porque o Estado vem dando um novo enfoque ao trabalho da Defesa Civil: o da prevenção.
Há 23 anos implantada no Paraná, a Defesa Civil, segundo Borges Vieira, está agora desenvolvendo um trabalho não apenas voltado às situações de emergência e calamidades mas também para a normalidade.
Foram consultados pronto-socorros, 5º Batalhão da Polícia Militar e Secretaria do Trabalho. O resultado mostra que, de novembro a abril, aconteceram 5.702 acidentes de trânsito em Londrina, sendo 244 vítimas ao mês, uma a cada 1 hora e 53 minutos.
Do total de 189 atropelamentos registrados no período, foi possível concluir que aconteceu um a cada duas horas. Os dados mostram que a cada 96 horas morre uma pessoa no trânsito de Londrina. Foram registrados, de novembro até abril deste ano, 3.556 acidentes de trabalho - um caso a cada duas horas e 47 minutos. Os acidentes domésticos, que vão de uma queimadura com água quente à queda de um idoso, totalizaram no semestre 8.856 casos. A média foi de 24,3 acidentes por dia, um caso a cada 59 minutos.
Depois de apresentar os dados, Borges Vieira sugeriu a participação do município no desenvolvimento de uma campanha envolvendo os voluntários. A intenção, segundo ele, é conseguir a mudança de comportamento através de informações. A campanha pode ser através de informações simples como a remoção de tapetes na casa onde há idoso, exemplificou.
Vieira acredita que ações preventivas podem contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Ele ficou de marcar uma nova reunião para definir a participação da Prefeitura e da Comdec na campanha que será desenvolvida em Londrina. O prefeito Belinati se mostrou entusiasmado com a proposta. Posso garantir que haverá grande solidariedade do povo de Londrina.


