Marcelo AlmeidaPressãoSilva: controvérsia quanto à mutilação do corpo de Evandro Caetano e mais 150 perguntas para responder à promotoriaOs advogados de defesa de Celina e Beatriz Abagge afirmaram que o depoimento prestado ontem pelo médico legista e diretor do IML, Francisco Moraes e Silva, contradiz informações fornecidas pelo próprio legista no processo criminal. Segundo um dos advogados de defesa, João Marcelo Queiroz Soares, o médico disse no depoimento que o cadáver de Evandro não possuía as duas orelhas e que seus órgãos genitais não haviam sido lesados. No processo, de acordo com o advogado, o legista havia declarado que o exame de necrópsia confirmava integralmente a confissão dos acusados, segundo a qual apenas uma das orelhas e o pênis do garoto teriam sido arrancados durante o suposto ritual de magia negra.
‘‘Ou ele falou a verdade no Fórum e mentiu no processo, ou mentiu nas duas ocasiões’’, disse Soares. O advogado mencionou ainda outras contradições relacionadas à amputação das mãos e dos pés do garoto. Na confissão feita por Osvaldo Marcineiro, que teria sido confirmada pelo laudo do legista, o garoto estaria sem uma das mãos e sem um dos pés. Fotos mostradas ontem no Fórum de São José dos Pinhais e trechos do laudo de Moares e Silva mostram que, na verdade, o garoto teve as duas maõs arrancadas e apenas alguns dedos dos pés cortados.
O depoimento do legista confirmando a identidade do corpo como sendo de Evandro Ramos Caetano, deverá ser confrontado com outras duas testemunhas do julgamento de Celina e Beatriz Abagge. Além da acareação com o perito Arthur Conrado Drischel, já requerida pela defesa e pela acusação, os advogados das rés apostam no depoimento do perito Arlindo Blume para derrubar as informações contidas no laudo apresentado por Moraes e Silva. O legista afirma que o corpo do menino sofreu incisões feitas possivelmente com facões e que suas costelas foram serradas para a retirada dos órgãos.
A promotoria nega que as informações prestadas por Blume possam ter qualquer peso legal. ‘‘Ele não assinou qualquer laudo e apenas fez um trabalho técnico baseado em fotos e em outros documentos sobre o caso’’, afirmou Ribas. O próprio legista Francisco Moares e Silva disse, durante o interrogatório, que o trabalho realizado por Arlindo Blume deve visto mais como uma ‘‘composição literária’’ do que como uma ‘‘conclusão técnica’’.
No final da noite de ontem, o depoimento do legista já completava sua oitava hora de duração e a promotoria ainda não tinha realizado nem metade do seu interrogatório. O promotor Celso Ribas disse que ainda possui outras 150 perguntas para fazer ao legista. Depois será a vez da defesa interrogar o legista.
Ontem, a juíza Marcelise Weber Lorite determinou que o julgamento prosseguirá durante a Páscoa. No domingo, a sessão será encerrada um pouco mais cedo, às 16h30, para permitir que os jurados e as rés descansem.

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