Céu Azul O Chevrolet Ômega Suprema preto, equipado com giroflex, da Funerária São Vicente, de Mamborê, não transportava o corpo de uma mulher que teria tido uma morte trágica em Foz do Iguaçu e que estava sendo trasladada para sua cidade natal, conforme informou o agente funerário Daniel Pereira Menezes, 33 anos, ao patrulheiro que o abordou na madrugada de ontem, no Posto de Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal na BR-277, em Céu Azul (51 km a oeste de Cascavel).
Na verdade, a urna funerária estava abarrotada de defensivos agrícolas chineses, de comercialização proibida no Brasil, comprados em Ciudad del Este (onde o comércio é liberado e os produtos são registrados nos órgãos fiscalizadores) e contrabandeados via Ponte da Amizade. No total, segundo a polícia, havia 1.136 pacotes de 50 gramas de três tipos de produtos destinados à cultura da soja Imidaclopid (inseticida para controle de pragas), Huron e Clorimuron 25 (herbicidas).
Menezes que estava sozinho no carro foi preso e encaminhado à carceragem do novo prédio da Polícia Federal (PF) em Foz do Iguaçu. O flagrante aconteceu porque o agente funerário não apresentou a documentação do suposto cadáver que transportava e caiu em contradição quando foi questionado pelos policiais rodoviários.
Menezes disse à polícia que um desconhecido lhe pagaria R$ 1 mil para entregar o contrabando em Mamborê. Segundo a PF, a carga contrabandeada está avaliada em cerca de R$ 150 mil. Todo o material será destruído de acordo com a legislação ambiental vigente.
O motorista do Ômega foi incurso nas penas do artigo 334 do Código Penal Brasileiro (contrabando e descaminho), cuja pena varia de um a três anos de detenção, e está à disposição da Justiça Federal Criminal de Cascavel.
A Polícia Federal está preocupada com o crescente número de apreensões deste tipo de produto. Os flagrantes vem acontecendo na BR-277, especialmente nos municípios do Extremo-Oeste. Em outubro, a PF descobriu um entreposto de venda de defensivos contrabandeados que funcionava em uma loja de ração de Foz do Iguaçu. Na ocasião, foram recolhidas mais de uma tonelada de produtos chineses.
A partir da prisão de Menezes, a PF espera desmantelar algum esquema de distribuição do produto no Estado. Até o final da tarde de ontem, não se sabia qual seria o destino final da carga, considerada pelos agente de ''risco elevado'' para a saúde humana.

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