''Sou solteiro, um cara sério mas também brincalhão e amigo. Gosto de viajar, mas às vezes falta o dinheiro. Moro em Salvador, mas tenho origem interiorana. Embora tenha feito curso superior, continuo um cara simples. Sou branco, 1,83 metros, 90 quilos e estou a fim de passar uma semana viajando na boléia de um caminhão para o sul do Brasil. Posso partilhar as despesas, dormir no caminhão, preparar a comida se for preciso, enfim o que necessitar. A você caminhoneiro, sou um cara de família - certeza que serei uma boa companhia para você. Pode responder este e-mail que entrarei em contato. Carona da Bahia para o Sul do Brasil para junho de 2008.''
Se identificou com a história do sujeito a ponto de dividir o banco de um carro com ele por horas a fio? Se precisou pensar muito para responder é porque não tem o mesmo espírito dos tantos caroneiros perdidos em terras brasileiras. Dar e pegar carona é uma prática tão tradicional quanto atual que ainda movimenta jovens ao redor do globo. Por aqui, sites funcionam como uma ponte de comunicação entre os que oferecem e os que procuram carona, como o www.caronas.com.br, de onde a história acima foi surrupiada.
Idealizado por dois estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o site surgiu da necessidade, e dificuldade, da dupla em arrumar carona para visitar a família, de tempos em tempos, no interior de Minas Gerais. Toda vez que precisavam de carona, eles tinham de consultar o mural da faculdade e era difícil encontrar alguém com o mesmo destino. A idéia deu tão certo que hoje o site é usado por qualquer um que precise ir de uma cidade a outra do País.
Na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diariamente, estudantes também combinam viagens curtas ou longas por meio da internet. Para quem oferece a carona, há a vantagem de dividir o gasto com o combustível. Quem pede, ganha conforto e economiza tempo.
Os sistemas de carona foram criados por dois universitários. O Carona USP não exige que o caroneiro seja estudante, docente ou funcionário da universidade. Basta possuir um e-mail para fazer o cadastro. O usuário escolhe uma região do Estado e deixa uma mensagem, pedindo ou oferecendo a carona. Já para se cadastrar no sistema da Unicamp, é necessário ter o e-mail da instituição e só quem oferece a viagem deixa mensagem.
Em Londrina, o bom e velho dedão é o que movimenta, todos os dias, os pontos de carona a caminho da Universidade Estadual de Londrina (UEL), próximo à Rua Humaitá e a Avenida Castelo Branco. Placas apontando como destino pequenas cidades vizinhas também aparecem nas saídas para Cambé e Curitiba. Caronista que se preze é cuca fresca. Não tem vergonha de parar onde quer que seja e entrar em qualquer veículo só para economizar o passe do ônibus. Ou quem sabe fazer um novo amigo. Ou até cuidar do meio ambiente.
Rodrigo Julião, 22 anos, cursa o segundo ano de Artes Cênicas na UEL e desde o primeiro ano pede carona para ir e voltar da universidade diariamente. ''A carona ajuda a economizar e a conhecer diversas pessoas'', define o estudante, que sempre viaja com um motorista diferente. Segundo ele, pela manhã os motoristas não costumam falar muito, já na hora do almoço, alguns chegam até a desabafar. ''Sempre tive sorte, o pessoal dá carona numa boa.''
Aluno do terceiro ano de Artes Visuais, Pedro Luiz Lopes de Oliveira, 20, não dirige e sempre dependeu de carona para ir para a UEL. Quando morava na Rua Humaitá, costumava caminhar até o ponto onde se concentravam os caronistas e enquanto andava, pedia carona. Até com motoqueiro ele já andou.
''Economizar é o de menos, a carona é boa porque o transporte coletivo em Londrina é horrível, os ônibus estão sempre lotados e o bilhete é caro e de carro, a gente sempre vai ouvindo música'', descreve Oliveira, que já aceitou carona mesmo desconfiado do motorista.
''Já fiquei sabendo de festas e até arrumei emprego com pessoas que me deram carona. Nunca passei por nenhuma situação apavorante, mas já tive medo de motorista barbeiro'', brinca o estudante, que já levou até cantada em carona.
Airam, Fernanda, Karina, Marcos e Thiago. O quinteto tornou-se inseparável no último ano de Jornalismo na Universidade Norte do Paraná (Unopar), há quatro anos. Inseparáveis pelo menos dentro do Varjão Móvel, como foi batizado o Fiat Uno que levava a galera para a faculdade toda noite.
''Conversando na sala a gente juntou quem morava perto ou no caminho da faculdade e decidiu ir num carro só'', relembra a jornalista Karina Simm, 27, que nos primeiros três anos ia para a Unopar de van.
Segundo ela, todos rachavam a gasolina. ''Era sempre muito engraçado, a gente voltava conversando, falando sobre a aula'', diz Karina, que nunca havia andado de carona na vida. ''Inclusive sempre evitei pegar carona com quem eu não conheço, acho muito perigoso.''
Serviço- Mais informações sobre caronas nos sites www.caronas.com.br; http://www2.uol.com.br/oviajante/carona.htm; www.caronausp.z8.com.br e http://carona.no-ip.com.

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