Dedicação e paciência recebem homenagem
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terça-feira, 21 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
No Dia Mundial da Doença de Alzheimer, comemorado ontem, os grandes homenageados foram as pessoas que se dedicam a cuidar dos portadores da síndrome. Em Londrina, a tarde foi de alegria para mais de 50 pessoas que participaram das atividades programadas pela regional da Associação Brasileira de Alzheimer e Doenças Similares (ABRAz) no salão paroquial da Catedral Metropolitana.
Decididas a compartilhar experiências acumuladas com familiareas portadores da doença, as coordenadoras regionais da ABRAz, Marilda Eumann Mesas e Altayr Aparecida Alves Garcia, passaram a orientar alguns cuidadores há pouco mais de um ano. Suas mães, já falecidas, foram portadoras da doença e, desde então, passaram a nutrir a vontade de transmitir o que aprenderam para outras pessoas. Em setembro deste ano conseguiram concretizar o objetivo de instalar em Londrina uma regional da ABRAz para auxiliar os cuidadores a conviverem de forma harmônica com o doente e transformar a rotina estressante em uma troca de amor e dedicação.
Para as coordenadoras, assistir o cuidador é tão essencial quanto tratar do doente. Como o portador vive até mais de 14 anos com a doença, quem cuida precisa ser respeitado e poupado para que também não tenha problemas de saúde. Marilda apontou que já houveram casos em que o cuidador morreu antes do doente, por viver longos anos oprimido por uma rotina cruel. Ela aponta que quando quem cuida é um familiar, obrigatoriamente ele terá que abandonar o emprego e outras tarefas para se dedicar em tempo integral ao portador. ''O cuidador, e as famílias, estão tomando mais consciência porque é muito importante que ele esteja bem para conseguir cuidar bem do doente'', salientou.
Por isso, a programação de ontem foi voltada para alegrar os mais de 50 participantes do evento. Dois especialistas em alegria do Plantão Sorriso deram o tom à tarde de descontração. ''Esse é o tipo de iniciativa da qual as famílias deveriam participar mais. Isso é absolutamente necessário (para o cuidador)'', elogiou Malu Tófano, 54 anos, que cuida da mãe, Helena Tófano, 80 anos, há quase uma década. Ela disse que os responsáveis pelo doente precisam manter a paciência. ''Minha mãe, por exemplo, tem muito esquecimento, teimosia e muito medo das coisas'', comentou.
O aposentado Diomélis Nogari, 76 anos, teve a esposa Elza Nogari, de 71 anos, diagnosticada com a doença há pouco mais de um ano e meio e também aconselhou: ''Todo cuidador precisa ter paciência, paciência e paciência e nunca se desesperar''. Sua esposa também tem esquecimento mas continua fazendo tarefas domésticas. Além disso, faz pinturas a óleo e pratica hidroginástica. ''O cuidador sofre ao ver a doença progredindo e não pode fazer nada'', lamentou.
Na região metropolitana de Londrina existem cerca de dois mil pessoas diagnosticadas com a doença. Para aqueles que não podem bancar o caro tratamento que gira em torno de R$ 500,00 mensais a solução é procurar o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (HC/UEL), o centro de referência da região, e obter a medicação através do Sistema Único de Saúde (SUS).


