Estudante da rede pública desde os primeiros anos da vida escolar, João Victor Olivato Queiroz, 17 anos, recebeu vários ''sorrisos amarelos'' quando contou aos amigos e conhecidos que iria prestar vestibular para Medicina. ''As pessoas ficavam sem graça, diziam que era muito difícil'', recordou o adolescente, recém-aprovado no concurso da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Determinado a entrar na faculdade escolhida, ele não desanimou diante da falta de encorajamento. Durante o terceiro ano do Ensino Médio, concluído no final de 2010 na Escola Estadual Gabriel Martins, matriculou-se num cursinho pré-vestibular com aulas durante a tarde e a noite. Com dedicação e uma boa dose de autodidatismo, surpreendeu a si mesmo com a aprovação na primeira tentativa. ''Eu tinha certeza que passaria, mas achava que conseguiria apenas no ano que vem. Foi uma alegria muito grande ver meu nome entre os aprovados.''
A conclusão dos estudos em escola pública foi determinada por falta de condições financeiras para pagar uma instituição particular. ''O João Victor sabia que tinha deficiências e me cobrava, dizia que não conseguiria passar no vestibular'', disse o pai do estudante, Antônio Dicesar Queiroz, que trabalha com automação industrial.
Em resposta aos anseios do filho, Queiroz o incentivou a estudar sozinho. ''Ele começou a procurar video-aulas na internet, conteúdos que não tinha na escola. A luz que iluminava as horas de estudos era a da tela do computador'', disse. Com apoio dos professores e materiais do cursinho, o vestibulando venceu as dificuldades e conseguiu a aprovação.
Convicto de que os vestibulares são difíceis, mas não impossíveis, João Victor acredita, também, que o autodidatismo faz diferença para estudantes de escolas públicas empenhados em conseguir aprovação. ''O segredo é adquirir ritmo de estudo e cumprir o que se propõe'', aconselhou.
Feliz com a vitória do filho, Queiroz confessa que chegou a tentar influenciá-lo para que seguisse carreira na área de Engenharia Elétrica. ''Até matriculei num curso de eletrotécnica, mas ele não gostou.'' Quando percebeu que João Victor estava convicto sobre o futuro, passou a incentivá-lo a lutar pelos objetivos. ''Agora vou trabalhar bastante para que ele seja um médico, pois Medicina é um curso caro.''

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