A experiência da paternidade transforma o homem. Completa, realiza. Esse é o pensamento de quem passou dez vezes por essa aventura. Pedro Garcia Lopes Filho, 69 anos, conta que não tinha planos de ser pai de tantos filhos, mas cada gravidez de sua esposa foi recebida com surpresa e festa. O grande desafio não era alimentar tantas bocas, mas educar os filhos, inseri-los no mundo, com valores e metas que ultrapassassem os comuns. ''Eu busquei educar com retidão. Sempre pensei mais neles do que em mim. Hoje vejo a modernidade, a liberalidade, os pais não querem sofrer, os filhos se tornam pesos. Meu pai me ensinou diferente e eu busquei fazer o mesmo. Meus filhos são a razão da minha vida.''
A primeira filha de Lopes Filho hoje tem 44 anos. A mais nova, 18. A diferença de idade registra a luta do pai, que explica a dificuldade em se adaptar a cada época e dar aos filhos a oportunidade de protagonizarem suas vidas. ''O mundo muda a cada ano. A educação de ontem não serve para hoje. Os valores continuam, mas agora os filhos precisam de uma liberdade que não podíamos dar antes. Para um pai entender isso, adaptar-se e saber responder ao que o filho precisa é uma grande aventura.''
Bancário aposentado, Lopes Filho lembra que quando a primeira filha nasceu ele recebia um salário mínimo e assim mesmo, com muita economia, comprou o primeiro terreno que a família teve. Para sustentar tantos filhos ele não precisou de mais de um emprego, mas diz que ensinou a mulher e os filhos a não gastarem mais que o necessário. ''Nunca nos faltou nada, porque nunca esbanjamos. E Deus é bom, cuida de quem é reto.''
Lopes Filho define a paternidade como um dos maiores mistérios do mundo. Ele se vê nos filhos e muitas vezes os vê tão independentes, fortes, que se assusta. Sugere aos pais mais novos que não se afastem de suas crianças, que se doem, pois na idade mais madura verão nisso o sentido para suas vidas. ''Pai de verdade é o que estende a mão. O que sofre junto, o que se alegra junto. Como um homem pode ter um filho e não acompanhar o crescimento dele, vibrar com as vitórias, sofrer com os fracassos? Eu sou presente na vida dos meus filhos, da gravidez de cada um até hoje. Só a morte pode separar um pai de um filho e, mesmo assim, não separa de verdade. O meu está sempre comigo.''
Para confirmar a história toda, emocionada e com voz de choro, Marcela Garcia Lopez, a sétima filha, diz que em cada dificuldade da vida familiar a presença de seu pai marca equilíbrio e força. ''Ele sabe ser pai. São poucos os homens que têm a mesma virtude. Tudo o que sou é porque ele escolheu ser um bom exemplo e eu escolhi segui-lo.''

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