Curitiba - Primeiro foi a estiagem. Depois, as chuvas e os vendavais. De acordo com o Sistema de Controle da Defesa Civil (SISDC), desastres motivaram a publicação de 89 decretos municipais de situação de emergência em 2009 no Paraná. Alguns municípios foram afetados por mais de um desastre, e, por isso, publicaram mais de um decreto. Ao todo, 80 municípios decretaram situação de emergência.
Na comparação com o ano anterior, em 2009 os decretos praticamente triplicaram: em 2008, segundo o SISDC, 29 ocorrências geraram publicação de decretos, em 27 municípios. O salto no número de pessoas afetadas foi ainda maior. No ano passado, os desastres interferiram no cotidiano de 497 mil pessoas. Em 2008, pouco menos de 70 mil habitantes foram afetados.
As ocorrências mais comuns em 2009 foram estiagens (33 decretos), vendavais ou tempestades (27), e enxurradas ou inundações bruscas (18). As situações de emergência por estiagem concentraram-se do início de 2009 até meados de maio, enquanto as outras ocorrências se tornaram comuns a partir de setembro.
''Em 2009, no início do ano, tivemos o predomínio da estiagem em vários municípios paranaenses, principalmente no Sudoeste. No segundo semestre, curiosamente, devido às fortes chuvas e aos ventos, alguns destes municípios tiveram que fazer outro decreto, pela situação inversa, ou seja, o excesso de água'', descreve o tenente Eduardo Gomes Pinheiro, chefe da seção operacional da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.
Foi o caso de Santa Helena (Oeste), que em 2009 publicou três decretos. O primeiro em janeiro, devido à estiagem, e os outros dois em outubro e novembro, em razão de danos provocados por vendavais e tempestades. O coordenador da Defesa Civil do município, Mauro Luís Dotto, explica que o primeiro decreto relativo aos vendavais foi revogado, porque dez dias após o desastre ocorreu outro na mesma região. Assim, foi publicado um segundo decreto.
Dotto aponta que o decreto motivado pela estiagem gerou benefícios para os agricultores. ''Os produtores rurais puderam prorrogar dívidas junto aos bancos, já que mostraram que a colheita foi mínima, devido à estiagem.''
A respeito do decreto do segundo semestre, Dotto explica que o município ainda espera respostas. ''Pessoas que tiveram casas danificadas estão podendo retirar dinheiro do FGTS para reconstruir suas residências. Também foram entregues cestas básicas. De resto, estamos pleiteando ajuda dos governos estadual e Federal.''
Dotto argumenta que os desastres que ocorreram em Santa Helena são difíceis de prevenir. ''Aqui, não temos problemas de enchentes nem de deslizamentos. O maior problema está nas estiagens e nos vendavais. Isso é difícil de prevenir. A prevenção seria mais no sentido de alertar a população quando o problema está para acontecer. Nós procuramos estar organizados, para manter as equipes a postos.''

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