Decreto tenta evitar proliferação de áreas vazias em Umuarama
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
Umuarama tem três grandes vazios urbanos, situados entre o centro da cidade e os jardins Cruzeiro e São Cristóvão e o Parque dos Jaboticabeiras. Todas são formados por propriedades particulares.
Um decreto da prefeitura, determinado no início desta administração, proíbe a abertura de novos loteamentos populares tocados com recursos do município. A proibição deve valer até que a cidade tenha um novo Plano Diretor.
Segundo o secretário de Obras, Luiz Simoni, nos próximos dias deve ser formada a comissão que vai organizar um novo Plano Diretor para a cidade. Um dos objetivos do plano é reorganizar a ocupação do espaço urbano.
A proibição de novos loteamentos tenta justamente evitar o crescimento destes vazios urbanos, muitas vezes frutos da especulação imobiliária, que prejudicam a qualidade de vida nos bairros.
As áreas, juntas, somam cerca de 100 alqueires. Todo o espaço é preenchido pelo mato, o que torna perigoso o percurso entre os bairros. Os terrenos, de acordo com estimativas extra-oficiais, estão avaliados em R$ 4 milhões. O problema começou há 20 anos, com o início da abertura de conjuntos habitacionais na cidade.
Falta um melhor planejamento para ocupar todos esses espaços vazios racionalmente, diz Luiz Simoni. Quem mais sofre com os vazios são as pessoas que moram nos bairros e precisam ir ao centro para trabalhar. Elas precisam acordar mais cedo para se adaptar aos horários dos ônibus. Além disso, não dispõem da mesma qualidade de vida dos moradores do centro. Em alguns casos, faltam salas de aula e postos de saúde com atendimento permanente.
Todas estas dificuldades caracterizam os bairros como Vilas-dormitório, na opinião do arquiteto Febo de Carvalho Júnior, que em 1990 participou da elaboração do atual Plano Diretor da cidade. O problema é sério, e o maior responsável é o poder público, que não trabalha corretamente, diz.
Pólo de uma região de 30 municípios, entre os rios Ivaí, Piquiri e Paraná, onde predomina a criação de gado, Umuarama tem se consolidado nos últimos anos como um promissor centro universitário. A criação de novos cursos na Universidade Paranaense (Unipar) deve permitir a ocupação de pelo menos dois grandes terrenos vazios na cidade, localizados nas imediações do Jardim Cruzeiro, a 5 quilômetros do centro.
O ex-prefeito Antonio Romero Filho (PSDB) mostrou uma certa preocupação com os espaços vazios da cidade ao instituir o programa Escolas Fábricas. Foi criado um fundo para dar suporte aos empresários com intenção de abrir negócios nos bairros. Pelo menos oito fábricas foram inauguradas em dois anos. Por outro lado, o lançamento na administração dele do loteamento 1º de Maio, perto do Parque das Jaboticabeiras, criou mais um vazio urbano. Uma primeira análise técnica constatou que o loteamento não foi devidamente planejado. Falta infra-estrutura básica e, o que é pior, não existem perspectivas de que ela seja mesmo instalada.


