O presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou um decreto que deve alterar o conceito do que é bebida alcóolica. Hoje é considerada alcóolica toda bebida que tem mais de 13 graus Gay Lussac. Com a nova lei, este índice cairá para 0,5 graus Gay Lussac. A medida Gay Lussac aponta a quantidade em mililitros de álcool absoluto contida em 100 mililitros de uma mistura hidro-alcoólica.
Para os efeitos da nova política incluem-se bebidas destiladas, como a cachaça, fermentadas, como a cerveja, e outras preparações, como a mistura de refrigerantes, além de algumas preparações farmacêuticas.
A alteração irá afetar diretamente as agências de publicidade. Conforme o psicólogo Sérgio Belon, coordenador técnico do Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas (Caps-AD), se a lei for aprovada, não poderão ser veiculadas propagandas de cervejas e coolers entre 7 e 22 horas.
Ainda segundo Belon, a proposta partiu do próprio Ministério da Saúde e ''já está em tramitação e deve ser aprovada logo''. ''Esta lei interfere direto no comportamento da população, que tem feito uso de álcool cada vez mais cedo.''
Dados do Caps-AD apontam que em Londrina a primeira substância a que os jovens entre nove e 10 anos têm contato são inalantes, como tíner e solventes. Entre 10 e 11 anos, os jovens passam a consumir cigarro, álcool e maconha e a partir dos 13 já fazem uso de crack.
O Centro atende dependentes com idade entre 12 e 65 anos, sendo o uso do álcool mais comum entre os mais velhos. Segundo Belon, o uso de drogas está normalmente associado ao uso do álcool, mas os perfis são diferenciados. ''Pessoas com mais idade, entre 30 e 40 anos, preferem o álcool, em especial a cachaça, porque o teor alcoólico é mais alto e o custo mais baixo'', explicou.
Entre os efeitos do álcool no organismo pode-se citar a falsa sensação de segurança, euforia e diminuição do controle muscular e da coordenação. O álcool também prejudica a habilidade de avaliar velocidades, distâncias, reduz a acuidade visual e a capacidade de lidar com o inesperado.
O consumo é medido por doses e uma dose equivale a 14 gramas de álcool. Cada bebida apresenta um teor alcoólico diferente e quanto maior o teor, menor o volume de bebida para completar uma dose. A cachaça, por exemplo, é mais ''forte'' que o vinho que, por sua vez, é mais ''forte'' que a cerveja.
''O efeito da substância é relativo, não vem sozinho'', reiterou Sérgio Belon. Segundo ele, devem ser considerados o contexto social em que a pessoa está inserida, a subjetividade da pessoa - tolerância e relação com a bebida - e o tipo e quantidade de bebida utilizada. ''O parâmetro em termos de redução de danos é a pessoa retomar a autonomia de sua vida e ter controle do que usa'', completou o psicólogo.
De acordo com o tenente Ricardo Eguedis, porta-voz da Polícia Militar de Londrina, o Código Nacional de Trânsito estabelece que a concentração de seis decigramas de álcool por litro de sangue comprova embriaguez ao volante.
''A mudança na definição de bebida alcoólica não deve modificar as regras de trânsito já que o teste do bafômetro, que mede o ar alveolar, será mantido'', disse Eguedis. Segundo ele, o limite legal depende do peso, do sexo, se a pessoa estava em jejum e do tempo que levou para beber.
''O efeito do álcool varia de pessoa para pessoa mas se o exame do bafômetro apontar a presença do álcool é porque o condutor está embriagado'', concluiu o tenente.

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