Decretada prisão de prefeito
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terça-feira, 30 de março de 1999
Israel Reinstein 
O desembargador Clotário Portugal, do Tribunal de Justiça, decretou ontem a prisão preventiva do ex-prefeito de Morretes, Júlio César Salomão. De acordo com despacho do juiz, Salomão é acusado de desvio de recursos públicos e utilização de avião para viagens particulares. O procurador de Justiça, Munir Gazal, acrescenta que o ex-prefeito também não prestou informações durante o inquérito do Ministério Público Estadual que apura as irregularidades. Esta é a segunda vez que a Justiça pede a prisão de Salomão. O prefeito foi procurado, mas não foi localizado pela Folha.
De acordo com o procurador Munir Gazal, Salomão teria usado recursos públicos para pagar viagens que fazia pelo interior do Paraná e também à Região Metropolitana de Curitiba. Para resolver problemas particulares, ele alugava por meio da prefeitura aviões, afirma, acrescentando não ter os valores atualizados sobre os gastos feitos pelo ex-prefeito.
Gazal diz que um dos motivos para a solicitação da prisão do prefeito foi as constantes recusas de Salomão de prestar esclarecimento à Procuradoria. Agora, ele vai permanecer preso por tempo indeterminado, enquanto durar as investigações, avisa.
O Ministério Público investiga as ações do prefeito realizada durante o período de 10 de novembro de 1994 a 22 de novembro de 1995. Salomão não está sendo investigado apenas pelo ministério estadual, mas também por sua similar federal. Em 1997, ele foi preso de pela Polícia Federal, ficando detido por 27 dias. Na época, o Procuradoria da República investigava a factoring Duplicred Fomento Mercantil, de propriedade da família do ex-prefeito. A empresa emitia duplicatas irregulares, tendo o Banco Central aberto um processo contra a Duplicred. Salomão foi acusado de agiotagem clandestina.
Salomão ficou preso até o dia 2 de setembro, quando conseguiu um habeas-corpus, expedido pelo Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre. Paralelo ao processo federal, Júlio Salomão responde por três outras ações. Acusado de improbidade administrativa, de nomear parentes, e de passar cheques frios na praça, Salomão perdeu a Prefeitura de Morretes em 10 de junho de 96.


