Decretada prisão de PMs acusados de matar jovem
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quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Os dois policiais militares envolvidos na morte do adolescente Ânderson Froese de Oliveira, 18 anos, ocorrida no dia 2 deste mês, tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz de plantão Marcel Wallbach Silva na noite de segunda-feira. O advogado dos policiais, Peter Amaro de Souza, disse que iria entrar com pedido de habeas corpus, que deve ser julgado até amanhã. Enquanto isso, o soldado Nilton Hasse e o cabo Afonso Odair Konkel não vão se apresentar, informou o advogado.
O adolescente foi morto no Bairro Parolin, em Curitiba. Na versão dos policiais, eles foram chamados por moradores porque Ânderson e outro adolescente estariam andando pelas ruas e agindo de maneira suspeita. Durante a abordagem, Ânderson Oliveria teria reagido e iniciado uma briga com os policiais, que atiraram.
O pai do adolescente, Raymundo Barreto de Oliveira, disse que os adolescentes estavam com outros amigos fazendo grafites em alguns muros. Segundo ele, Ânderson e o outro amigo foram confundidos com outros dois suspeitos. Ele disse que vai entrar com ação indenizatória contra o Estado. ''Pagamos os policiais para cuidarem de nós e não para matarem os nossos filhos'', disse. Para ele, os policiais tentaram incriminar os adolescentes.
O pedido de prisão preventiva foi feito pelo delegado Sebastião Ramos Santos Neto, da Delegacia de Homicídios. Dois laudos do Instituto de Criminalística apontaram que Ânderson não tinha resíduos de pólvora nas mãos e que ele teria sido morto com um tiro à queima-roupa.
Os policiais também estão sendo investigados pelo Inquérito Policial Militar (IPM). Para o advogado Peter Souza, há um conflito de competências entre a PM e a Polícia Civil e os soldados estão sendo vítimas desse desentendimento. ''Eles estão sendo condenados sem direito à ampla defesa'', afirmou. Ele disse que os laudos técnicos não são conclusivos e que o delegado Ramos não ouviu um número suficiente de testemunhas. O advogado ressaltou que os soldados têm interesse em se apresentar, mas de forma que não haja constrangimentos. A reportagem não conseguiu localizar o responsável pelo IPM, tenente Wellenton Selmer, nem o comando do 13º Batalhão, onde os policiais atuam.


