Londrina
A Fundação Nacional de Saúde (FNS) quer controlar a esquistossomose na região de Londrina. A idéia da entidade é identificar as coleções hídricas (extensão de córregos que formam lagoas e brejos) infestadas com o caramujo que hospeda o verme transmissor da doença e orientar a população sobre as noções de higiene que evitam a esquistossomose, popularmente conhecida como ‘‘barriga d’água’’. Só no mês passado a FNS identificou 10 casos da doença em crianças entre 7 e 14 anos. Nove casos foram registrados no jardim Marabá (zona leste) e um no Novo Perobal (zona sul).
O supervisor geral de endemias da FNS, José Carlos Moraes, diz que o trabalho contra a esquistossomose começou há dois anos, através da investigação da incidência do caramujo nas 420 coleções hídricas existentes em Londrina. O caramujo é o hospedeiro do miracídio, o transmissor da doença. Já foram checadas 300 localidades e encontrados cerca de três mil caramujos tipo glabrata, o ‘‘mais potente hospedeiro intermediário da esquistossomose na nossa região’’, afirma Moraes. Desses, o supervisor calcula que entre 15% e 25% estejam infestados com o embrião da esquistossomose.
Agora, a Fundação quer diagnosticar a esquistossomose na população ribeirinha e levar as pessoas contaminadas para tratamento com médico da FNS. Serão feitos exames de fezes nos adultos e crianças que vivem muito perto das coleções hídricas e em crianças entre 7 e 14 anos que estudam em 99 escolas públicas da periferia de Londrina. ‘‘Vamos fazer entre 15 mil e 18 mil exames’’, anuncia Moraes.
Na primeira etapa foram realizados 500 exames em alguns bairros da zona leste e sul. Destes, 10 exames apresentaram resultado positivo e as pessoas já estão sendo medicadas pelo departamento médico da Fundação. Familiares e vizinhos dessas crianças também serão submetidas a exames de fezes. Moraes reconhece que o número de casos identificados na primeira fase é alto e que a idéia é controlar logo os casos para que a incidência não aumente ainda mais e acabe se tornando alarmante.
Segundo o supervisor, este é o primeiro trabalho sistemático na tentativa de levantar a incidência da esquistossomose na região de Londrina. Ele ressalta que muitos casos não são registrados pela FNS ou Autarquia Municipal de Saúde. Moraes lembra que 13 municípios da bacia dos rios Tibagi e Paranapanema são considerados endêmicos: Londrina, Ibiporã, Sertaneja, Primeiro de Maio, Alvorada do Sul, Porecatu, Bela Vista do Paraíso, Centenário do Sul, Lupionópolis, Cafeara, Jaguapitã, Florestópolis e Guairacá. Os estados brasileiros mais afetados, diz Moraes, são os localizados na região Nordeste, além de Minas Gerais, Goiás e Paraná.
José Carlos Moraes explica que a Fundação Nacional de Saúde não está sozinha na batalha pelo controle da esquistossomose em Londrina. Em outro projeto, junto com a Universidade Estadual de Londrina e Autarquia Municipal de Saúde estão sendo realizados mais exames de fezes na população da área de risco (próxima a rios). Ele explica que a Fundação coleta o material e realiza parte dos exames. O restante é feito pela UEL. Os casos de esquistossomose são tratados na Fundação, enquanto outras doenças são encaminhadas para os Postos de Saúde do município.
Para José Carlos Moraes, essa parceria é a primeira etapa de um projeto futuro e ‘‘ grandioso’’, comenta. Trata-se da limpeza dos córregos e localidades infestadas com o caramujo. ‘‘Para esse trabalho é preciso ter muita infra-estrutura’’, diz o supervisor.
Segundo ele, há duas maneiras de matar o caramujo infectado com o embrião da esquistossomose. A primeira, mais radical, é o uso de um produto chamado moluscida. ‘‘Mas ele só é usado em casos alarmantes, porque acaba matando também girinos e peixes’’, justifica. A alternativa recomendada pela FNS é a técnica mecânica e consiste na limpeza do córrego com a retirada da vegetação, desobstrução de valas e retirada do lixo. ‘‘Assim a água corrente vai levar embora o caramujo, que acaba morrendo porque não tem onde se alojar e nem do que se alimentar’’, esclarece.
Outra opção bastante eficiente, avalia Moraes, é um trabalho de educação sobre saúde à comunidade ribeirinha. A idéia é mostrar à população os riscos da doença e as formas de contaminação: brincar, lavar roupa, beber água de rios e córregos poluídos.
Com intenção de esclarecer a comunidade, os técnicos da FNS estarão hoje, a partir das 9 horas, no barracão comunitário da Vila Ricardo (zona leste), passando noções de higiene e saúde para as famílias que vivem perto de córregos. Segundo Moraes, os funcionários estarão também capturando os caramujos e mostrando os perigos da doença.

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